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COLUNA DO MAGNO ANDRADE: O processo versus o resultado

Texto 3

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que comemora 20 anos em 2018, tem, cada vez mais, se configurado como principal avaliação da educação no Brasil, sendo usado para ingressar em faculdades, em centros universitários e universidades nacionais e internacionais (Portugal, por exemplo, permite a entrada de brasileiros em seus cursos superiores por meio do Enem).

Esta e outras avaliações da educação brasileira, como a Prova Brasil e o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB), são extremamente importantes para precisar a educação do nosso país. Gestões escolares, professores, pais e alunos dedicam-se por meses para que os discentes consigam um bom aproveitamento nessas avaliações e possam, como no caso do Enem, iniciar um curso superior.

E é justamente nesse ponto que se configura um problema: a comunidade escolar (gestão, professores, pais e alunos) e muitas instituições têm se preocupado somente com o resultado, menosprezando, em muitos casos, o processo. Explico: a preocupação que rege a relação entre escola e avaliações é o resultado que os alunos e as instituições terão ao serem avaliadas. O processo de ensino e aprendizagem que levará o aluno a se “dar bem” nas provas (inclusive àquelas da própria escola, que levará o aluno ao próximo ano escolar) é “deixado de lado”: Não importa como ou se o aluno, de fato, aprendeu, o que importa é que, na hora da prova, ele se saia bem.

É muito comum, principalmente em pré-vestibulares ou em classes do Ensino Médio, os alunos procurarem meios fáceis de decorar conceitos, definições, fórmulas, estruturas, a fim de levá-los a um bom resultado de suas avaliações.

A decoreba ainda é muito usada na preparação para provas e, admito, para muitos conteúdos, pode até ser uma solução mais eficaz. Entretanto, para outras, ela só atrapalha. Por exemplo, a produção de textos.

Muitos alunos, ao longo do ano, me pedem “receitas” para construírem um bom texto dissertativo-argumentativo (gênero exigido pelo Enem). E pior: muitos professores de linguagem vendem essa receita – que, para mim, não existe.

Precisamos, sim, objetivar que nossos alunos passem nos vestibulares e tenham boas notas em qualquer avaliação que fizerem, mas a valorização do processo educacional dos discentes precisa ser o foco. Que possamos formar cidadãos menos competitivos e que sejam sociopoliticamente críticos, que saibam construir e defender suas próprias opiniões, deixando de ser meros copiadores de informações. Que eles, ao invés de decorar informações, possam sabê-las de cor (do latim cor, cordis, que significa coração, memória).

E acrescento: que possamos, como docentes, nos preocupar, sim, com os resultados de nossos alunos, mas desenvolvendo um processo rico, produtivo, divertido (aprender precisa ser uma diversão) e crítico. E que possamos, com os alunos, lutar contra a pressão que as avaliações trazem, dando ênfase para a saúde mental de nossos estudantes, que hoje tem afetado tantos acadêmicos, mas que, pela sua importância e recorrência, deve ser tratada em um texto específico.

(Eu sou o Magno Andrade, um jovem professor transformador e fora dos padrões, que acredita que uma educação pública, democrática e de qualidade é direito de todos e fonte para uma mudança social.)

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