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COLUNA DO MAGNO ANDRADE: Gramática pra quê?

Texto 14

Relatei, em um texto anteriormente escrito para a rede Professores transformadores, uma experiência que tive com a formação de leitores na Educação de Jovens e Adultos. Além do relato, critiquei a atual forma como a literatura é ensinada nas escolas (e que é incentivada pelos documentos oficiais que regem a educação). Em outros textos, também refleti sobre como a escola e os professores podem distanciar os alunos ao darem ênfase, muitas vezes, a conteúdos sem aplicabilidade em suas vidas. Neste texto, mantenho a mesma linha de pensamento, mas agora questionando o ensino de Gramática na escola.

Gramática é um dos conteúdos mais temidos pelos estudantes (sejam eles do ensino regular, da EJA ou pessoas que estejam se preparando para concursos ou vestibulares). Porém, ela não deveria ser. Afinal, somos falantes da língua e usamos, nas falas cotidianas, as convenções gramaticais que nos são inatas e internalizadas.

Por que, então, tantas pessoas abominam essa matéria? Mais uma vez, podemos atribuir isso à forma didático-metodológica usada por alguns professores de Língua Portuguesa – e que é sustentada por leis, diretrizes e pelos parâmetros da Educação.

Existem algumas defesas quanto ao ensino de Gramática. Há professores que escolhem a abordagem tradicional, exigindo que alunos decorem termos e conceitos, e que analisem palavras e frases para identificar suas funções morfológicas, semânticas e sintáticas. Há outros, porém, que defendem o não ensinamento explícito das nomenclaturas da Gramática. Ou seja: Vamos ensinar o que é um substantivo, sem usar o nome substantivo. E há professores, como eu, que acreditam que a construção do conhecimento das normas gramaticais deve ser feita de maneira contextualizada. Afinal, de que adianta um aluno saber identificar o agente da passiva, se ele não entende os efeitos que a voz passiva pode gerar em uma produção textual? Ou qual é a produtividade de um estudante dominar as convenções gramaticais e cometer preconceito linguístico com uma pessoa, demonstrando desconhecimento das variações e mudanças da língua, que é viva?

A Gramática é um tópico importante a ser tratado na sala de aula. Mas ela deve ser discutida, refletida, contextualizada, questionada pelos falantes da língua e não só por fazedores de provas que buscam aprovação.

Que, assim como professores que formam leitores, sejamos professores que formam falantes críticos da língua, que conhecem a Gramática o suficiente para usá-la conscientemente e duvidar dela quando necessário.

(Eu sou o Magno Andrade, um jovem professor transformador e fora dos padrões, que acredita que uma educação pública, democrática e de qualidade é direito de todos e fonte para uma mudança social.)

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