Return to site

COLUNA DO MAGNO ANDRADE: Ensino fast-food

Texto 11

Algumas escolas estão chegando ao fim de mais uma etapa agora em agosto. Trabalhos escolares e provas fazem parte da rotina dos estudantes, que ficam loucos com tanta coisa para fazer e com as médias a serem alcançadas.

Na minha prática como professor particular, percebo uma alta na procura por aulas. Pais desesperados entram em contato pedindo algum horário de aula para os filhos, mesmo que seja aos sábados e domingos. Durante as aulas, me deparo com alunos cansados e sobrecarregados, que, no 7º ou 8º ano, já não têm prazer na vida escolar.

Essa pressão tem se tornado comum na vida de crianças e adolescentes, e é produzida, muitas vezes, pelos pais e pela escola. (Mas este assunto eu já trouxe aqui na rede uma vez, no texto A pressão escolar e o ensino tradicional). O que quero discutir aqui é o ensino fast-food que muitas famílias têm pedido e alguns professores, vendido.

Com uma ou duas aulas, que, normalmente, têm entre uma e duas horas de duração, pais e estudantes querem que seus problemas sejam resolvidos e que uma boa nota seja alcançada nas avaliações escolares. É claro que alguns alunos têm somente dúvidas pontuais ou precisam de uma prática orientada para que possam “fixar” melhor determinado conteúdo. Porém, em muitos casos, os discentes têm lacunas educacionais não preenchidas anteriormente e que não poderão ser resolvidas em poucos encontros.

Podemos comparar esse processo de ensino fast-food com a uma casa-modelo, construída de forma provisória e usada por imobiliárias: ao entrar, nos deparamos com uma casa bonita, bem mobiliada, com uma linda decoração, mas as paredes e os alicerces daquele lugar são frágeis e ela não se manteria por muito tempo.

Assim é o processo educacional: não adianta estudar faltando pouco tempo para a prova se o aluno e a família não estão dispostos a acompanhar (principalmente, em momentos extraclasse) a vida escolar. Para estudantes que apresentam dificuldades providas de lacunas do passado, um acompanhamento é essencial.

O conhecimento não é construído de um momento para outro. Ele é um processo complexo que precisa de tempo para ser elaborado e fixado com eficácia. Por isso, devemos orientar alunos e pais nas escolas para que eles possam dar maior importância à possível necessidade de um acompanhamento extraclasse e que percebam que contratar um professor particular para salvar a vida deles pouco tempo antes de uma prova pode não resolver e que, nesses casos, a “culpa”, muitas vezes, não é do professor.

(Eu sou o Magno Andrade, um jovem professor transformador e fora dos padrões, que acredita que uma educação pública, democrática e de qualidade é direito de todos e fonte para uma mudança social.)

All Posts
×

Almost done…

We just sent you an email. Please click the link in the email to confirm your subscription!

OKSubscriptions powered by Strikingly