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COLUNA DO FABIANO CACHAMORRA: O primeiro bimestre acabou

Texto 43

Uma das minhas melhores turmas terminou o primeiro bimestre com um bom número de notas baixas. Quando esse tipo de coisa acontece, é hora de dialogar com a turma e tentar fazer um diagnóstico da situação. E, mais uma vez, fui surpreendido pelos estudantes.

A turma já esperava a nota baixa, então começamos um diálogo para entender o que poderia ter acontecido. Em meio a conversa, perguntei como eles estudavam? E descobri que não havia uma rotina de estudos, eles simplesmente aguardavam a véspera das provas ou da entrega dos trabalhos e, na correria, faziam leituras apressadas ou pesquisas na internet.

Nesse ponto, percebi que nenhum dos estudantes tinha ideia de como estudar para uma prova ou de como fazer uma pesquisa. Impressionante, em meio a tantas tarefas, tantos conteúdos, jamais pensei em dar uma aula falando sobre a construção de uma rotina de estudo.

Nesse sentido, na maioria das vezes, um determinado conteúdo só era visto no dia daquela disciplina, não sendo suficiente para o aprendizado e o desenvolvimento do conteúdo – isso quando não perdiam o prazo para entrega de tarefas. Então, comecei a explicar a minha rotina de estudante. Como tentava dar conta da leitura, escrita e de outras atividades, mesmo depois de velho.

Esse depois de velho foi em referência à frase de um estudante, que complementou: Professor, só quero terminar o Ensino Médio e começar a trabalhar, porque, depois disso, não preciso mais estudar. Estudar é uma tarefa difícil, há distrações demais e tempo de menos. Aquela nova série no streaming, aquele novo programa na TV, as tantas possibilidades ao navegar na internet ou mesmo em um novo jogo do celular.

Diretamente ligado à rotina, estava a necessidade de fazer o estudante perceber a importância de cada novo conteúdo. De cada nova reflexão. Falar que tal assunto é comum no ENEM não pode ser o objetivo daquela aula.

Percebi, naquela conversa, que estamos longe de entender os interesses dos estudantes. Dizer que eles são preguiçosos, que não querem estudar, não ajuda. Sem rotina, sem objetivo, realmente, estudar será uma atividade penosa. Construir a aula com diálogo, observando o cotidiano e traduzindo a atividade para o dia a dia, é um esforço maior para nossa profissão, mas é a melhor maneira de construir uma relação menos dolorosa para o aluno.

De fato, precisamos repensar a forma como estamos lidando com o cotidiano escolar. A escola conteudista que vivenciamos não cabe mais no dia de hoje.

Abraços no coração!

(Fabiano Cachamorra, professor, filósofo, sociólogo e idealista da educação amorosa. É professor do sistema socioeducativo do Rio de Janeiro é sobre isso que escreverá para vocês às segundas.)

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