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COLUNA DO DANILO SVAGERA: Educação como projeto do amanhã

Texto 2

Viver é estar diante projetos: possibilidades de escolhas que vão e vêm, feitas e refeitas no decorrer de nossa trajetória. O ontem, memória. O amanhã, incerto. O hoje, “presente”.

Trabalhar em escolas, contudo, implica em algo que transcende qualquer tentativa de simplificar a tese das meras escolhas pessoais – ali estamos diante centenas de agentes que deliberam e pensam, tomando consigo vontades e visões de mundo: discentes, docentes, administrativo – cada qual com soluções diversas para problemas... bem mais diversos ainda. Foi refletindo sobre isso que Sartre, certa vez, exclamou: O inferno são os outros! E são.

Neste contexto, durante nossa trajetória como professores, encontramos diversas mudanças que, cedo ou tarde, se chocarão com nossas concepções e visões educativas: das menores, como aquele material didático que não mais será utilizado, a redução de nossa atuação, projetos implantados; até as mais profundas, como a alteração da filosofia da escola (seu projeto pedagógico) e a entrada de novos professores. E lá se vão noites mal dormidas – que, alimentadas por uma “pré-ocupacão”, transformam-nos de professores à sofredores.

Em toda mudança, há um princípio de crise: a palavra crise, cuja raiz possui uma derivação de vento, traz a mudança consigo. Todo vento, que altera nosso curso, incomoda o lugar comum, o lugar do conforto. Se educar é tirar o aluno do “mesmo”, isso também vale para nós, educadores. Somos lados de uma mesma moeda.

Há de lembrarmos que escola é uma construção com (e de) gente – e, tal como toda instituição, é dirigida para si e para o outro: alguém está a imaginar caminhos que, por mais que choquem com nossas expectativas, são possibilidades. Um ano? Nada mais que 365 possibilidades.

Diante desse quadro, deixemos nosso pessimismo, nosso prazer no erro, solipsismo e comecemos a pensar em contribuições. Estabeleçamos um canal direto com a escola, buscando contribuir com as demandas e os desafios. Somente ao sentirmo-nos uma equipe, juntos em prol de uma educação de qualidade, poderemos caminhar rumo ao almejado. E sim! Esse recado é amplo: que as escolas compreendam que doadores de aulas, por melhor que sejam, não se transformam em equipe automaticamente (qualquer semelhança com um time de futebol não é mera coincidência). É necessário, sobretudo, um sentimento de pertencimento e a ousadia da mudança para fazer acontecer. Ah, e coragem: decerto, vários erros acontecerão.

Nota mental. Bem sei que nem todas as instituições aceitam tais tipos de opiniões e eis que entra nosso projeto pessoal do início do texto: estamos dispostos à não termos voz diante aquilo que realmente acreditamos?

(Eu sou Danilo Svágera, professor graduado em Filosofia e mestre em Educação. Um ser que acredita no criticismo como a finalidade educativa, no diálogo como a ponte do saber e no respeito mútuo como fundamento escolar. Admirador e consultor de pedagogias de vanguarda – em suma: que acredita, desde o início, numa extrema diferença entre “ser” e “estar” Educador.)

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