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COLUNA DA VIVI VIEIRA: Ser mãe e educadora

Texto 11

Dias desses, no supermercado, negociava com meu filho o que ele gostaria de comer. A escolha foi, para minha surpresa, algo saudável. Um conhecido estava próximo, ficou feliz com a atitude e teceu muitos elogios. Depois me perguntou se ele mudaria de ideia, respondi que talvez sim, mas teria que trocar, pois o nosso combinado é escolher apenas um alimento dentro das condições que eu possa pagar.

O conhecido ficou alegre e soltou a frase que causou o tema central desse texto: Claro! Filho de professora fica fácil. Não vai ser mal-educado nunca!

Um peso estranho pousou sobre minhas costas – além do peso da maternidade que a sociedade já coloca quando vê sua barriga apontando. Fiquei pensando na expectativa imposta nessa frase: eu tinha que fazer com que meu filho fosse educado por conta de minha profissão. Assim como o filho de um médico nunca será totalmente saudável, um filho de um professor não será totalmente educado.

Se você, mãe, já “mordeu a língua” inúmeras vezes por ver seu filho dando trabalho em público e você jurou que, quando tivesse uma criança, nunca permitiria algo parecido, prepare-se: sendo professora você “morderá sua língua” ainda com mais força.

Quando estamos na dinâmica da sala de aula, analisamos os pais de nossos alunos sob uma perspectiva recheada de julgamentos. Consideramos que cada comportamento – bom ou ruim – se resume ao perfil da família. Sabemos, é claro, que a dinâmica familiar influencia, e muito, no comportamento dos alunos. Chamo atenção, aqui, ao nosso pensamento julgador que nos impede a ajudar essas crianças, e nos permite adotar um espírito acomodado: pois, se a família não faz nada, o que eu, como docente, posso fazer?

Nós, educadores, precisamos nos desamarrar esse lado julgador da criação dos pais com nossos alunos. É preciso estabelecer uma grande parceria, buscando equilíbrio e, juntos, escola e família, encontrar soluções para acolher essa criança, auxiliando-a em todas as suas necessidades.

Como mãe e educadora, resolvi respeitar os processos do meu filho, assim como fazemos com nossos alunos. E, se algo der errado – e vai dar –, vamos dialogar e aprender juntos, mãe e filho, encontrando um novo caminho. Educar é isso! Sendo mãe ou educadora.

(Eu sou a Vivi Vieira, mãe e professora. Pedagoga e psicopedagoga, formada pela Universidade do Vale do Paraíba / Univap. Atualmente, sou coordenadora pedagógica da Espiral Escola Viva. Trabalho também como formadora de professores, coordenadores e diretores pelo Brasil.)

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