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COLUNA DA VIVI VIEIRA: Correção textual é um dever de todos?

Texto 13

Hoje, peço licença aos professores de Língua Portuguesa para fazer uma reflexão: será que é somente o professor de Língua Portuguesa que deve fazer a correção ortográfica e gramatical das produções dos alunos?

A nossa língua engloba todos os aspectos: o texto verbal, o não-verbal, o sonoro e o escrito – o que tantos chamam de multimodalidade de linguagens. Se temos a apresentação da linguagem de diversas formas, como e por que a restringimos apenas à disciplina de Língua Portuguesa?

É claro que, na disciplina, há diversos desdobramentos específicos da Língua Portuguesa, que apenas um professor, formado em Letras, poderá desenvolver, afinar e aprimorar com os alunos.

Chamo atenção, aqui, é para a língua de forma geral. Se somos professores e, no exercício da profissão, estamos vendo o aluno em sua totalidade, faz parte dessa ação analisar o uso que ele faz da língua escrita e verbal.

Na minha caminhada, encontrei diversos professores que se recusavam a corrigir a gramática e a ortografia dos exercícios aplicados por partirem do pressuposto de que não era sua obrigação fazê-lo.

A expressão, a leitura, a escrita e a interpretação acompanham todas as áreas do conhecimento e toda nossa vida, que está além dos muros da escola. Não é à toa que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) já iniciou essa reflexão abraçando outras disciplinas para trabalhar melhor as linguagens.

Saber interpretar um problema matemático, um gráfico, um mapa ou fazer inferências em um texto fazem parte do trabalho da área de linguagem de todas as disciplinas, não é algo restrito apenas à Língua Portuguesa.

Tenho certeza que, assim como eu, há muitos professores com dúvidas nas regras gramaticais e ortográficas. Porém, o mais comum deveria ser que todos nós pudéssemos aprender uns com os outros em prol dos alunos, para que a língua bem escrita, falada e interpretada fizesse, de fato, parte de todos nós. Há diversas formas de combinarmos, em conjunto, ferramentas e marcações de correção para o uso de todo o corpo docente. Basta estarmos abertos para esse diálogo, que só trará benefícios. Somos professores por inteiro e não de uma gaveta disciplinar que se abre e se fecha a cada 50 minutos.

(Eu sou a Vivi Vieira, mãe e professora. Pedagoga e psicopedagoga, formada pela Universidade do Vale do Paraíba/Univap. Atualmente, sou coordenadora pedagógica da Espiral Escola Viva. Trabalho também como formadora de professores, coordenadores e diretores pelo Brasil.)

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