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COLUNA DA VIVI VIEIRA: Continuando a conversa sobre o ser

Texto 7

No meu último texto, O que você quer ser quando crescer?, refletimos um pouco sobre a expectativa que é colocada sobre a criança para o futuro. Hoje, vamos continuar nossa conversa e falar sobre os jovens que sofrem essa mesma pressão.

Para os jovens, a pergunta muda para: O que você vai fazer da vida? Como se eles não estivessem fazendo nada nesse tempo de existência, e que responder essa pergunta determinará o que farão, de fato, pelo resto de suas vidas. Será que eles têm essa resposta? E a escola, no meio desse questionamento, ganhou o atributo de formadora desses indivíduos para ajudá-los nessa decisão.

Nesse papel, muitas escolas iniciaram um depósito de informações sem escalas, formando seres unilaterais, castrados de criatividade e questionamentos. O objetivo é vencer uma corrida que decidirá sua vida. E, nessa corrida, não há lugar para todos, então, infelizmente, que vença o melhor – o melhor quer dizer quem memorizou mais.

É próprio da juventude correr riscos, experimentar, tentar construir sua formação, despertar sonhos e ideais. E, com o foco da escola apenas voltado para a formação de conteúdos e a preparação para os vestibulares, não sobra tempo para ouvi-los.

Que tipo de educação temos construído para proporcionar, a esses jovens, reflexões para ajudá-los em suas escolhas e sonhos? Em que momento estamos parando para olhar realmente para esses seres? E, nesse meio tempo, há hormônios, descobertas, afirmação de sua identidade, problemas externos, como procurar um emprego, a falta de experiência profissional, drogas, gravidez etc. – um turbilhão de pautas presentes à margem de uma escolha que, aparentemente, definirá suas vidas.

Um dos nossos papéis como educadores é perceber a aprendizagem de cada aluno, como ele interage com o conhecimento e de que forma vamos tratar os conteúdos para que sejam significativos. Além disso, é nosso papel também perceber esse ser vivo, que sonha e questiona. Quando enxergamos o lado humano do aluno, o saber tem mais significado.

Precisamos exercitar mais essa escuta para auxiliá-los nesse processo, criar canais de diálogo ajudando-os a reafirmar esse ser presente que já faz muito por sua vida e só precisa se encontrar e, acima de tudo, fazer com que eles percebam que, dentro da escola, há uma rede de apoio aberta e disposta a acolhê-los no que precisarem. É preciso deixar que eles, de fato, sejam protagonistas de sua aprendizagem e não meros expectadores.

(Eu sou a Vivi Vieira, mãe e professora. Pedagoga e psicopedagoga, formada pela Universidade do Vale do Paraíba / Univap. Atualmente, sou coordenadora pedagógica da Espiral Escola Viva. Trabalho também como formadora de professores, coordenadores e diretores pelo Brasil.)

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