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COLUNA DA VIVI VIEIRA: A cidadania no espaço escolar

Texto 2

Sabe aquele insight que temos de vez em quando, que nos faz refletir e mudar a prática? Aconteceu comigo um dia caminhando pela rua com um grupo de alunos. Saímos da escola, a pé, a fim de fazer uma pesquisa de preços para a compra de materiais para um projeto. Passamos por uma padaria em que o estacionamento era na calçada. Havia um carro saindo da garagem: meu instinto de segurança foi abrir os braços para segurar o grupo para que o carro pudesse sair. Em seguida, um aluno reclamou: Pô, Vivi, é o carro quem deve esperar. Ele está ocupando o nosso espaço, o de pedestre, não é?

Imediatamente, caíram algumas fichas! Veio a reflexão de como estávamos trabalhando o que está escrito em quase todos os PPP’s das escolas: educar para a cidadania, viver no coletivo, cumprimento de regras do espaço etc.

A cidadania é um conjunto de direitos e deveres de um indivíduo que vive em sociedade. O individuo se relaciona e aprende com o meio desde o momento em que ele nasce. É a realização da vida em sociedade, em que estabelece as distinções culturais, sociais e vai se construindo como sujeito, um cidadão.

Estar na escola ou fora dela permite que as crianças vivenciem conflitos, solucionem problemas e lidem com o outro e com sua autonomia.

O alerta desse aluno nos fez refletir no que estávamos fazendo para que essa cidadania, de fato, acontecesse. Parece que ficamos numa inércia, numa esperança, de que aquele pequeno sujeito que entra no Ensino Fundamental, com 6 aninhos, vai sair daquele espaço-escola aos 17 anos sendo um bom cidadão.

O exercício dos direitos e dos deveres precisam acontecer dentro e fora desses espaços escolares e vividos por todos. É comum vermos, nas escolas, combinados de convivência e cuidados feitos apenas dentro da turma e sem discussão no coletivo da escola. Quando abrimos a discussão desses combinados, passamos a entender que devem ser cumpridos por todos, e eles passam a ser direitos e deveres. E foi o que fizemos!

Os problemas, os conflitos e incômodos passaram a ser discutidos pelo coletivo da escola. Estou chamando de coletivo todos os alunos, todos os professores, coordenadores, diretores e funcionários de apoio. Todos se apropriaram dos combinados e, agora, têm a chance de questionar, se posicionar, pensar no bem de todos.

Em outras palavras, estou querendo dizer que não há como construirmos uma educação para cidadania, com esperança de que, amanhã, os alunos adultos serão ótimos cidadãos. Temos que pensar a educação na cidadania, que somente pode ser construída pela sua vivência no aqui e no agora. Olhar para fora da sala de aula ou se incomodar com o carro na calçada podem ser um bom começo...

(Eu sou a Vivi Vieira, mãe e professora. Pedagoga e psicopedagoga, formada pela Universidade do Vale do Paraíba / Univap. Atualmente, sou coordenadora pedagógica da Espiral Escola Viva. Trabalho também como formadora de professores, coordenadores e diretores pelo Brasil.)

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