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COLUNA DA NÍBLIA SOARES: Alma de professora

Texto 1

Devastar, dilacerar, dissecar. Sim, é ácido e é disso que trato. O que isso tem a ver com o escrito de hoje? Ah, você descobre ao final.

O que é ser ou estar colunista?

Durante alguns dias foi essa a minha pergunta. Logo vão descobrir que aprecio demasiadamente as perguntas. Pode ser qualquer uma. Então, comecei minha ideia para o texto por aqui. A linguagem, em suas múltiplas facetas e significados.

Devo escrever de que forma? O que se impõe em uma linguagem formal? Em sala de aula sempre fui uma professora altamente questionadora. Que bom que o tempo passa e uma ou outra resposta já consigo elucidar. Viver só de perguntas é angustiante. No início da minha vida como professora era comum me perguntar: que tipo de professora sou, formal ou informal? Questionadora do sistema, dos educandos? Absolutamente! Sempre daquilo ou daquele que se fizer pertinente questionar e isso me inclui. O que faz com que a fagulha de aprender vire chama que transforma a ação? E, afinal, o que, de fato, é transformação? Mudanças de padrões neuronais, de comportamento, evolução das funções executivas, retorno de algum modo para a sociedade ou para si? Sabemos, de verdade? Trago mais perguntas que respostas em minha trajetória. No entanto, no peito, algo incomoda desde o início. É preciso refletir sobre a prática, não apenas a nossa. Buscar, olhar e “ver” ao redor! Do tic tac do relógio, que marca os tempos escolares, ao estudante que “divaga” olhando a paisagem pela janela. Ver tudo. Para quê? Para fomentar a busca e o prazer pelo aprender, respeitando a individualidade.

Gostaria de iniciar, na coluna, falando com entusiasmo e positivamente. Quem sabe, na próxima?! Hoje, quis ser ácida, “ao ponto”, fazer pensar sobre o pensar. Aquela acidez que nos incomoda a princípio, no entanto, faz toda diferença no resultado final. Quem somos nós, educadores do Brasil? Tenho 20 anos de experiência na área de Educação. Sinto-me novata. A sede de perguntar ainda é maior do que a de responder. Perguntar a mim, a você, aos nossos alunos. O cerne da questão sobre que educação queremos ou praticamos talvez esteja nas perguntas que não fazemos ou que não deixamos que façam. Definitivamente, não me considero uma professora formal, aliás, fôrmas ficam muito bem em outros ambientes; nas minhas salas de aula, gosto do não saber, do não dito que, aos poucos, revela-se nos traçados de uma criança, nas dúvidas irônicas de adolescentes. Que mundo fantástico este em que estamos inseridos. Teorias, autores, referências: somos nós que decidimos, interpretamos, damos o tom acima ou abaixo. Ou... deixamos tudo e todos ali, na cabeceira da cama e escrevemos de próprio punho nossas vidas de educadores. Vamos criar? Colorir nossas aulas de perguntas? Ah, sim! Porque pergunta tem cor. Qual a sua pergunta? Que cor ela tem?

Falei mais de mim do que sobre qualquer outra coisa. Apresentei-me, justo. Porque era necessário escancarar meu peito, mostrar minha alma livre e espontânea de enxergar a educação. Assim, meu tom ou meus vários acordes ficam logo dissecados. Minhas ideias expostas, dilaceradas em um rasgar que busca. Devastar meus próprios pensamentos é uma honra que, agora, compartilho com cada um de vocês, colegas.

Sou dessas: mais céu, menos paredes.

(Eu sou a Níblia Soares, colunista da rede Professores transformadores. Sou professora de crianças que acredita na educação positiva e na afetividade como parte do processo de aprender. Pedagoga, psicopedagoga e especialista em Psicanálise, transformo vidas diariamente. Essa é a minha paixão.)

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