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COLUNA DA MICHELLE RISTOW: As crianças ainda são desconcertantes para nós

Texto 6

O ser criança é composto pelo DNA da vida que é de transformação, de mudança. Nós, adultos, também mudamos constantemente porque atravessamos, assim como a criança, muitas experiências em que somos transformados. Ainda assim, essa transformação depende da nossa abertura.

Acontece que a criança, além de ser um núcleo de potencialidade, em que os talentos, a inteligência e as capacidades já fazem parte de sua constituição como ser humano, a cada dia, se permite essa transformação porque sua expansão da consciência está em completo processo de permissão. A criança se permite.

Observando as crianças com as quais convivo, vejo o quanto estão abertas à experimentação e à descoberta de mundo. Naquilo que atravessamos juntos, sempre me pergunto: Quanto de mim está aberto neste processo também? Quanto de mim está apto a ouvir, olhar e acompanhar esse florescimento humano que é do outro?

A vida não é um estático ser, e sim um contínuo devir. Devir que se consolida na constante mudança e no movimento permanente. Eu diria que a grande sacada da educação é também uma pedagogia baseada no autoconhecimento, em que reconhecemos nossos limites, e nos conhecemos em profundidade para não atrapalharmos o processo que é do outro. Muitas vezes, como educadores, nos vemos imersos em expectativas, encurralados em “achismos”, esquecendo do que é puramente orgânico e permeia vida, que é a dualidade presente todos os dias. Lidar com as diferentes situações, todos os dias, nos provoca e mexe com nossas estruturas internas, pois entramos em contato com a impermanência do outro. Muitas vezes, desejamos permanência onde não existe, porque nos transmutamos todos os dias. Aceitar isso é o grande desafio.

Me pergunto quais de nós, na relação com crianças, jovens e adultos, estamos dispostos a nos perguntar, a nos questionar e, sobretudo, a reconhecer os nossos limites. Dói reconhecer nossos limites na relação com a criança porque o nosso ego grita. O ego adulto que acha que sabe tudo. E, quando vemos que sabemos pouco e que a relação é constante aprendizado, nos deparamos com o tal do “um degrau a menos”. Descer, para alguns, é fracasso. Para outros, é sabedoria. Para muitos, desespero.

É preciso uma busca urgente sobre a natureza integral do homem para que o ato de educar consista em saber equilibrar, de forma harmoniosa, essas duas forças que tanto de complementam, instinto e razão. Me coloco no grupo dos três egos, fracasso, sabedoria e desespero.

(Eu sou a Michelle Ristow. Transformadora de mim mesma. Uma sonhadora consciente da realidade e esperançosa por natureza. Acredito na relação que oferece espaço, promove autonomia e considera o lugar de fala do outro. Gosto de aprender brincando, ouvindo histórias e conversando.)

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