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COLUNA DA MICHELLE RISTOW: A vulnerabilidade nossa de cada dia

Texto 2

Acredito que poderíamos incluir, como sinônimo da palavra escola, a palavra metamorfose.

Todas as transformações possíveis, imaginárias e até aquelas que nunca imaginamos acontecem na escola. Crianças, jovens e adultos. Imersão humana. Balaio de mutações de todas as formas e potência máxima de energias diferentes carregam, descarregam e recarregam esse espaço.

Desde o dia em que fiz a minha opção como educadora e aceitei trabalhar em uma escola que acredita que todos os aspectos da experiência humana devem ser considerados, as transformações não acabaram. Todo dia existe algo que me acerta em cheio, me atravessa e, quando eu penso que já está tudo bem e tranquilo, uma nova experiência acontece e mais uma transformação se apresenta.

O mês de agosto foi tenso e intenso. Sabe aquela velha história do “vivi um ano em um mês”? Aconteceu comigo. Agosto veio apresentar mais um pouco das minhas vulnerabilidades. Me questionei: o quanto de mim aceita a vulnerabilidade? Estou pronta para “descer do salto”, “tirar mais um pouco das máscaras” e me apresentar com minhas dores e fraquezas? Agosto me mostrou que não e que sim.

Minha parceira de sala, que estava comigo há um ano e meio, decidiu algo muito importante para a vida dela neste momento e saiu da escola. Voltei e ela não estava mais lá. Uma relação que tinha várias diferenças, mas que também se complementava. Sou teimosa. Gosto de pensar que não vou sentir a perda. Agosto chegou e senti.

As crianças voltaram das férias, cheias de histórias para contar e, claro, também mudaram. Meu lado controlador assinala: Mas ela não fazia isso... Mas ele não era assim... Estão impossíveis. A chegada da nova parceira de sala e eu me cobrando por não estar realizando uma boa comunicação com ela, porque, na verdade, “deu uma pane” em mim. De repente, eu era a tirana.

O que não me incomodava passou a incomodar, o que não me afetava passou a me afetar, e eu pensava: mas por que isso agora? Nunca me afetou. Sempre esteve e vai ficar tudo bem. Por que essa necessidade real da “incomodação”? Me perguntei muitas vezes no espelho, sozinha e andando por vários lugares.

Quando a crise chega é engraçado como o desejo de sair dela é maior do que de vivê-la. Consciente da importância de absorvê-la, eu fui muito mais “fujona” do que acolhedora. Me deparei com o velho pensamento que ainda habita em mim: devo dar conta de tudo.

Que surpresa ver que esse pensamento é vivo em mim, e que engano ainda pensar assim. No pedido de socorro dentro da escola, contei com uma rede de apoio, abraços quentes e pessoas dispostas a ajudar. Mais uma transformação, mais uma libertação, mais um aprendizado sobre a importância de declarar: Não, eu não dou conta de tudo e nem devo dar conta de tudo. Preciso da sua ajuda, sim.

(Eu sou a Michelle Ristow. Transformadora de mim mesma. Uma sonhadora consciente da realidade e esperançosa por natureza. Acredito na relação que oferece espaço, promove autonomia e considera o lugar de fala do outro. Gosto de aprender brincando, ouvindo histórias e conversando.)

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