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COLUNA DA MAURA BRITTO: Professor também canta, dança e se diverte!

Texto 13

Na última semana, comemoramos o Dia do Estudante na escola. Nos últimos horários, ocorreram várias atividades recreativas com os alunos, com interação com os professores fora do espaço da sala de aula. Na sexta-feira, fizemos um café da manhã coletivo. Cada um levou alguma coisa e a mesa ficou bem farta. Todos comeram, conversaram e se divertiram. E tinha música, seguindo a playlist escolhida por eles.

Em um dado momento, alguns professores se levantaram e ensaiaram alguns passos tímidos, dançando também. Mais um balanço de quadris do que dança propriamente. E eu estava nesse meio. As alunas que estavam perto vieram nos ensinar o passinho do momento, surpresas ao nos ver dançando. Você dança funk, fessora? Com a mão no joelho e tudo? Na hora, eu achei graça e dei risada da pergunta, mas, depois, fiquei pensando no espanto da aluna sobre o fato de realizarmos outras atividades, além de lecionar nossas disciplinas. Que tipo de “aura” se cria em torno da figura de um professor a ponto de um aluno se espantar com o fato de que a gente dança? Será que é saudável para a profissão e para a relação de ensino e aprendizagem manter essa visão tão distante do professor? Como se ele não fosse um ser humano, que ri, que chora, que sai no fim de semana com os amigos, que tem problemas familiares, que se entristece. E que dança, se diverte e que vive a vida fora da escola, assim como os alunos.

Ao questionar isso, não estou ignorando o fato de que, como professores, temos uma responsabilidade de guia, de referência e que, na sala de aula, a questão da disciplina é um dos maiores desafios que enfrentamos. Também reconheço que, muitas vezes, os alunos não levam a sério aquele professor que brinca com eles em sala, e que tem uma aproximação mais amigável. Na minha prática, tento fazer um “meio termo”. Sou rígida com o cumprimento das atividades, mas converso com eles, pergunto sobre o que eles gostam e também falo sobre mim. E, ainda assim, a aluna se espantou ao me ver dançando.

Será que precisamos mesmo nos colocar nesse lugar inalcançável, intocável para realizar nosso trabalho de maneira satisfatória no que se refere às habilidades cognitivas e às relações interpessoais com os alunos? Não estou propondo um tipo de postura que ignore normas e deveres de cada um dentro da escola, mas acredito que precisamos nos humanizar mais um pouco nessa relação – sem que isso seja um motivo de desqualificar o trabalho do professor. Essa figura mítica que criamos em torno de nós mesmos, no final, é uma amarra que prejudica a nós, à nossa prática e aos alunos. Antes de sermos professores, somos pessoas e precisamos ser entendidos pelos alunos também nessa configuração da nossa existência.

(Eu sou a Maura Britto. Professora e mestre em História, apaixonada por patrimônio histórico, que canta, dança e não vive sem arte. Busco um mundo onde o que queremos para nós não seja distinto do que fazemos aos outros. Acredito na educação. A sala de aula é o meu lugar.)

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