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COLUNA DA MAURA BRITTO: O dia da perícia

Texto 17

No último mês de setembro, fui nomeada por um concurso que tinha feito para a Secretaria Estadual de Minas Gerais, em abril. Uma notícia muito boa, mas que me deixa também apreensiva sobre o que me espera, em tempos de mudanças no currículo comum de História, com a Reforma do Ensino Médio. Mas a estabilidade profissional é sempre um alento do cotidiano do professor.

Passadas as primeiras semanas de euforia, começaram as inúmeras tarefas a fazer, com prazo estreito. Uma bateria de exames médicos – às nossas expensas –, marcação de perícia médica na unidade central de atendimento ao servidor, em Belo Horizonte, e preparar atividades para os dias em que teria que faltar ao serviço em função desses procedimentos.

A minha perícia médica foi marcada em Belo Horizonte, às 7 horas da manhã. Ouro Preto não é tão distante da capital mineira, mas, devido ao horário da consulta, fui um dia antes e dormi na casa de minha tia. Cheguei ao local às 6:50 horas e já estava cheio. Haviam pessoas que estavam lá para fazer o pré-admissional, como eu, e outros servidores que precisavam de licença ou de um relatório médico para retornar ao trabalho. E, às 7 horas da manhã, uma funcionária já nos atendia com grosseria típica de alguma dessas pessoas. Fiquei pensando: que tipo de trabalho é tão estressante que faz com que a pessoa já comece mal seu dia, fazendo com que o dia de outras pessoas – que não têm nada a ver com isso – também comece mal? E o meu dia ainda estava só no início...

Eu tinha que levar os exames laboratoriais ao clínico geral e a videolaringoscopia para análise da fonoaudióloga. Fui primeiro até ela. Às 8:40 horas, quando fui apresentar os outros exames para conferência, não tinham colocado o número de minha carteira de identidade à frente do meu nome. E aí não podiam aceitar minha documentação. Eu tinha feito o exame em Ouro Preto e já comecei a ficar desesperada! Como é que eu ia retificar o exame que fiz em outra cidade e ainda ir à consulta às 10 horas da manhã? Deu vontade de chorar! A gente quase morre de estudar, passa no concurso e vai dar errado uma coisa dessas?! Entrei em contato com o laboratório, em Ouro Preto, pelo telefone, expliquei a situação e eles me enviaram o exame corrigido por e-mail. Pude imprimir e reapresentá-lo. Mas, a essa altura, eles já tinham me reagendado para o turno da tarde, pois esse processo de ligar, retificar exame, imprimir e reapresentar exame demorou mais de duas horas... E eu quase tendo um “treco”!

Às 14:30 horas, eu tinha consulta com o clínico geral. Às 12:30 horas, eu já tinha almoçado e estava lá, na sala de espera do prédio... Eu e mais um monte de gente aguardando perícia... E vendo horário eleitoral para passar o tempo! O bom é que escola é escola em qualquer cidade e, quando junta muito professor no mesmo lugar, o que não falta é assunto.

Às 14 horas, me direcionaram para a sala do médico. No prédio da unidade pericial, são vários consultórios. E eles foram distribuindo as pessoas de acordo com o horário e o número da sala que constava no nosso protocolo de atendimento. E eu fui aguardar a consulta no consultório 16. E só tinha eu lá. Nenhum médico. Ah, ele deve estar atrasado! – pensei, tentando manter a calma. Aguardei 10 minutos e nada. E os outros consultórios todos cheios! Fui até a recepção conferir. E, naquela coisa de me reagendar, que houve de manhã, marcaram meu nome para um perito que não atenderia à tarde. E o povo pra lá e pra cá com os meus exames na mão, liga pra um, liga pro outro... E eu já quase em desespero! De novo! Por fim, consegui ser atendida por uma médica que tinha vaga para consulta às 15 horas, mas que chegou uma hora depois. E fui a última! Saí de lá depois das 18 horas, para, ainda, ir à rodoviária e voltar para Ouro Preto, porque, no dia seguinte, eu tinha aula e precisava estar de pé às 6 horas da manhã!

No final, tudo deu certo! Serei professora efetiva novamente e estou muito feliz com isso! Mas todas essas intempéries me fizeram pensar no quanto o professor, como ser humano, é desrespeitado! Mesmo em um momento que devia ser só de comemoração para ele!

(Eu sou a Maura Britto. Professora e mestre em História, apaixonada por patrimônio histórico, que canta, dança e não vive sem arte. Busco um mundo onde o que queremos para nós não seja distinto do que fazemos aos outros. Acredito na educação. A sala de aula é o meu lugar.)

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