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COLUNA DA MAURA BRITTO: História: do início até quando?

Texto 12

Um dilema que tem se tornado cada vez mais latente no ensino de História, na Educação Básica, é a questão da abrangência do conteúdo e sua aplicação dentro do período escolar: de forma cronológica e abarcando os aspectos da História Geral e da História do Brasil, de acordo com as etapas do período escolar do ano letivo. Só que a história continua acontecendo, assim como a revisão historiográfica de vários temas ligados às Humanidades, à medida que surgem novas pesquisas. Como discutir tudo em quatro bimestres? Como selecionar o currículo? Para além de uma discussão conteudista sobre o que é fundamental para a formação do aluno e as demandas que serão cobradas dele em avaliações e processos seletivos que ele enfrentar, creio que os profissionais da área da História precisam enfrentar esse conflito tempo x currículo, porque o assunto da nossa disciplina, a cada ano, se torna maior.

Sabemos que há também uma série de situações externas à sala de aula que determinam a ação do professor. Temos que seguir o que determina a legislação federal sobre o tema, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, e agora a proposta da nova base nacional curricular. Além disso, cada Estado e município, dentro de sua autonomia administrativa, tem seus modelos de gestão da Educação Básica. Quando comecei a lecionar, por exemplo, em Minas Gerais, havia a tendência, orientada pela Secretaria Estadual de Educação, da escolha de livros didáticos que dessem mais ênfase à História do Brasil – e os temas de História geral eram trabalhados a partir desse viés. Mas esse modelo durou pouco tempo.

Hoje, seguimos o recorte cronológico: no 6º ano, Pré-História até queda do Império Romano; 7º ano, invasões bárbaras até colonização na América (século XVII); 8º ano, crise do sistema colonial até Imperialismo; 9º ano, século XX à atualidade. O conteúdo é enorme, e os dilemas já começam no 6º ano. Alunos de 11 e 12 anos não estão cognitivamente desenvolvidos para compreender sociedades complexas, como Egito, Mesopotâmia, Grécia e Roma. Por mais que possamos trabalhar esses temas, há certas estruturas dessas sociedades que dificultam a compreensão dos alunos dessa faixa etária. Da mesma forma, no 9º ano, à medida que, a cada ano, ampliam-se os assuntos, está cada vez mais difícil concluir o conteúdo da série. Sem contar os problemas teóricos de se trabalhar História do tempo presente!

Existem algumas propostas de se discutir a partir de eixos temáticos: Mundo do Trabalho, Cidadania, Cidades, entre outros. A metodologia auxilia na questão das limitações do recorte cronológico, mas ela própria traz problemas em sua execução. Utilizo muito as coleções que apresentam essa proposta como textos complementares em minhas aulas. Mas trabalhar nessa perspectiva durante o ano todo dificulta a concepção de História como um processo.

Enfim, também não tenho a resposta para essa questão. Mas vejo esse problema teórico-metodológico cada vez mais forte em minha sala de aula. Como profissionais da área, precisamos discutir sobre o tema para que possamos encontrar um caminho mais satisfatório para o processo de ensino e aprendizagem de História.

(Eu sou a Maura Britto. Professora e mestre em História, apaixonada por patrimônio histórico, que canta, dança e não vive sem arte. Busco um mundo onde o que queremos para nós não seja distinto do que fazemos aos outros. Acredito na educação. A sala de aula é o meu lugar.)

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