Return to site

COLUNA DA MARIA DA GRAÇA MOREIRA: O diálogo entre as tecnologias e a escola

Texto 4

No meu dia a dia, busco debater com os professores sobre o diálogo possível entre as tecnologias e a escola. Alguns apoiam, outros observam criticamente e vários professores não conhecem ou não reconhecem o uso das tecnologias no processo de ensino e aprendizagem. Assim, encontramos, nesta coluna, um espaço privilegiado para fomentar esta reflexão e debate.

Uma primeira providência a ser tomada para o início deste diálogo é desconstruir alguns dos equívocos que encontramos frequentemente.

O primeiro equívoco é defender, ingenuamente, o uso das tecnologias como fator preponderante para a promoção de mudanças na educação, para a inovação ou, ainda, para a modernização do ensino. Contrariamente ao senso comum, as tecnologias por si só não conseguem promover mudanças na educação ou inovações curriculares. Mudanças na educação sugerem políticas públicas educacionais que envolvam ações de amplitudes maiores, com olhares mais profundos à cultura local e global, à escola e à comunidade. As inovações curriculares, igualmente, são consequentes de processos de debates em diversas esferas da sociedade e construídas coerentemente com os saberes que emergem do chão da escola. Envolvem também o debate da e na escola e devem surgir do entendimento do movimento permanente de discussão.

Outro equívoco a ser desconstruído é entender que as tecnologias podem ser empregadas para motivar ou entreter a criança ou o jovem “nativo digital” não mais interessado nas aulas desconectadas. O interesse pelas tecnologias, além de serem caras para apenas motivar, se esgota rapidamente e acaba em joguinhos, caso não encontre uma proposta pedagógica consistente.

Entretanto, a introdução de inovações no interior da sala de aula, como um computador portátil, um celular ou um quadro eletrônico podem, a princípio, despertar a curiosidade ou a atenção dos alunos, mas não devemos reduzir ou ofuscar o papel das tecnologias.

O senso comum, portanto, não revela ou reconhece o papel das tecnologias, da cultura digital e de sua relação com a educação.

A integração das tecnologias à educação prevê a escola como autora. As tecnologias, além da comunicação, possibilitam que professores e alunos aprendam e sejam produtores, difusores e compartilhadores da informação: “autores” na cultura digital. A autoria, porém, é precedida pela leitura crítica do mundo, como pontuava Paulo Freire. Mas, nos dias atuais, a leitura deste mundo não pode ser feita com os mesmos instrumentos de antigamente (ALMEIDA, 2009). A leitura do mundo contemporâneo envolve os instrumentos desta cultura, que agora é digital, e o uso de tecnologias.

A apropriação do uso das tecnologias pela escola se dá por meio de processos de formação no contexto da própria escola que se mesclam com a reflexão sobre os paradigmas e os temas emergentes da educação. A leitura crítica e interpretação do mundo digital são fundamentais nesse contexto. Dessa forma, a apropriação do uso das tecnologias e a inserção na cultura digital implicam na escola se enxergar como partícipe desta cultura e, desta forma, atuar como leitora crítica e autora deste mundo.

Referências:

ALMEIDA, F. Paulo Freire. Folha Explica. São Paulo: Publifolha, 2009. 95 p.

(Eu sou Maria da Graça Moreira, professora da pós-graduação em Educação: currículo, em Novas Tecnologias na Educação da PUC SP. Acredito na leitura crítica e na escrita no mundo e na cultura digital, com nossas palavras.)

All Posts
×

Almost done…

We just sent you an email. Please click the link in the email to confirm your subscription!

OKSubscriptions powered by Strikingly