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COLUNA DA MARIA DA GRAÇA MOREIRA: Integrando tecnologias ao currículo e à prática pedagógica

Texto 2

Sou formadora de professores e na minha área de atuação, tecnologias e currículo, sempre me perguntam: por que integrar as tecnologias ao dia a dia da sala de aula? Este é um desafio não apenas aos formadores e professores, mas para toda a escola.

Estamos em 2018, no final da segunda década do século XXI, já bastante envolvidos com o uso de tecnologias e múltiplas mídias, como cartão de crédito, bancos, redes sociais, imposto de renda, jornais on-line etc. Por outro lado, a cultura digital também já ingressou na área da Educação, por meio dos sistemas de gestão pedagógica (presença, plano de ensino, notas), boletim on-line aos pais, comunicação à distância, plataformas educacionais, educação a distância e muitas outras atividades que, sem perceber, passamos a realizar com o tempo.

A “cultura digital” é resultado da prática de um grande grupo de pessoas que usa intensamente as tecnologias digitais para diversas finalidades da vida diária, como no entretenimento, no trabalho, na política, no consumo, na comunicação e na própria educação. Segundo Santaella (2013), esse uso tem modificado a nossa própria cultura. Isso significa que, quanto mais usamos, mais criamos novas práticas e modificamos nossa própria cultura, isto é, fazemos as coisas de forma diferente.

Quem se lembra quando os telefones eram fixos? Pois bem, esse exemplo ilustra como mudou nossa cultura de telefonar. Nos dias atuais podemos chamar uma pessoa ou grupo pelo smarthphone, por voz, mensagem instantânea, mensagem gravada, “ao vivo” ou de outras maneiras. Mas é necessário aprender a usar o smartphone, entender suas funções, falar as novas linguagens. É uma ferramenta típica de nossa cultura contemporânea e que também é usada – e bem, na Educação. Como no caso dos smartphones, as atividades da cultura digital demandam novas aprendizagens, uma nova alfabetização. Se uma pessoa é considerada alfabetizada quando aprende a ler e a escrever, por analogia, é considerada alfabetizada digitalmente quando lê e escreve na cultura digital.

Na minha vivência como formadora, tenho conhecido muitos educadores interessantes (professores, coordenadores, diretores) que, de uma forma ou de outra, estão debatendo ou usando tecnologias em suas práticas. Alguns não utilizam tecnologias por diversos motivos, como falta de tempo, falta de computadores funcionando na escola. Uma grande parte usa tecnologias para suas atividades pessoais, como postar imagens, textos e vídeos em sua linha do tempo, “mandar um Zap Zap”, buscar conteúdos na internet e estudar, mas usa pouco com seus alunos. Outros, ainda, usam para complementar suas aulas, como quando desenvolvem uma atividade pontual no laboratório de informática da escola. Existem aqueles educadores que planejam suas aulas considerando as tecnologias voltadas para a aprendizagem dos alunos, para dar voz ou para desenvolver projetos colaborativos. Cada um está num estágio diferente, a seu tempo, com seu estilo.

A integração das tecnologias ao currículo, muitas vezes, não se dá de imediato, ao simples contato. Se dá de maneira gradual e em etapas, por meio de estágios de apropriação de tecnologias pelos docentes e por toda a comunidade escolar, segundo inúmeros pesquisadores, como Pasinato e Vosgerau (2011). Muito frequentemente, ao se apropriar das tecnologias no dia a dia pedagógico, mudam-se também as práticas pedagógicas, no sentido de descentrar o foco do professor para o aluno, articular os conteúdos curriculares ao contexto social do aluno promover a interdisciplinaridade, dar voz aos alunos, empoderá-los (PASINATO; VOSGERAU, 2011).

Mas por que integrar tecnologias ao currículo? Esta integração é o que garante o direito do aluno de participar desta cultura digital, de apropriar-se de suas linguagens e de ler e de escrever o mundo.

Referências:

ALMEIDA, F. Paulo Freire. Folha Explica. São Paulo: Publifolha, 2009. 95 p.

PASINATO, N. B.; VOSGERAU, D. S. R. Proposta para avaliação dos estágios de integração das TIC na escola. Congresso Nacional de Educação, EDUCERE, 2011. Anais... Curitiba: Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 2011.

SANTAELLA, L. Da cultura das mídias à cibercultura: o advento do pós-humano. Revista FAMECOS, Porto Alegre, n. 22, p. 23-32, 2003.

(Eu sou Maria da Graça Moreira, professora da pós-graduação em Educação: currículo, em Novas Tecnologias na Educação da PUC SP. Acredito na leitura crítica e na escrita no mundo e na cultura digital, com nossas palavras.)

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