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COLUNA DA MARIA ALZIRA LEITE: O que comemorar?

Texto 16

“Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo.” (ROSA, 1986, p. 118).

No mês de outubro, em vários Estados do Brasil, há um recesso que alguns intitulam como a “semana do saco cheio”. Nesse mesmo período, no dia 15, comemora-se o Dia do Professor. Cabe destacar que muitos aguardam inquietos por essa semana, pois anseiam pelo “colocar o trabalho em dia”, e outros aproveitam para descansar! Acredito, inclusive, que a segunda opção seja bem mais atrativa, tendo em vista que as tarefas relacionadas ao nosso fazer nunca terminam. Ao contrário, multiplicam-se!

Independentemente do planejamento, penso que o momento é convidativo para se indagar: o que comemorar no dia 15 de outubro? Eu poderia enumerar diversos aspectos problemáticos que envolvem a nossa profissão. E a resposta sairia negativa. Mas a minha opção, aqui, ainda é pelo lado real, pautado na esperança de dias melhores.

Ser docente é difícil! Mas ser policial, médico, contabilista também é desafiador. Todas as profissões possuem especificidades. Então, como professora e pesquisadora, não gostaria de enaltecer, sobremaneira, uma determinada profissão, representando-a num pedestal. Não é o meu intuito reforçar figuras de um sujeito como um missionário e/ou aquele que possui um dom. Muitos, talvez, possam pensar que eu esteja sendo dura nas minhas palavras. Porém, noto que essas imagens acabam reforçando discursos, cujas dimensões representacionais orientam a determinados estereótipos que impulsionam a desvalorização.

O professor é um trabalhador... Todos os dias! Defendo que a representação docente ultrapassa o romantismo da figura do aluno entregando a maçã ao mestre. Assim, vejo a nossa representação imbricada em ações que podem mudar a vida do outro. Diante disso, comemoremos o 15 de outubro considerando os ressignificados da nossa prática. Esses ressignificados chegam até o outro aguçando escolhas e transformações!

(Eu sou Maria Alzira Leite, professora transformadora, pesquisadora de temas que envolvem discursos de/sobre professores. Atualmente, estou como docente no Centro Universitário Ritter dos Reis/UniRitter, em Porto Alegre-RS.)

(Eu sou Maria Alzira Leite, professora transformadora, pesquisadora de temas que envolvem discursos de/sobre professores. Atualmente, estou como docente no Programa de Pós-graduação do Centro Universitário Ritter dos Reis – UniRitter, em Porto Alegre-RS.)

Referência

ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. 20ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986, p. 118.

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