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COLUNA DA MARIA ALZIRA LEITE: Afetividade e trabalho docente

Texto 14

Mas o que é que conheceremos observando as ações do outro? Conheceremos suas emoções como fundamentos que constituem suas ações. (MATURANA, 2005)

Desde o dia 24 de julho, encontro-me em duas coordenações. É difícil estar na posição de coordenador e, também, na de professor. É complicado reger questões didáticas, metodológicas e, ainda, lidar com o próprio planejamento das aulas. Porém, essa vivência só vem a legitimar o que penso sobre o trabalho docente: a afetividade é imprescindível no processo educativo, nas ações de coordenar e/ou de lecionar.

A afetividade está na essência de um trabalho que envolve a escola e a equipe pedagógica. Talvez seja por isso que o fazer do educador ainda resgate imagens ligadas ao acolhimento e à emoção.

Essas imagens instigam a um saber agir, com vistas à mudança. É isso mesmo! Apesar das inúmeras representações negativas envolvendo o ser professor, aqueles que ainda optam pela carreira do Magistério possuem o desejo de fazer a diferença na vida do outro.

Isso quer dizer que não é o lado financeiro que instiga um jovem a ser mestre. O alicerce para essa profissão se pauta no contentamento de fazer parte do ensino e do aprendizado que se reverbera nas demais esferas da vida.

Nesse viés, ressalto que a ação educativa é um ato dialógico. E, nesse movimento recíproco de tentar compreender o outro, considerando-o como um ser humano sócio-histórico-cultural, perpassamos pela trilha da empatia e dos sentimentos de afinidade. Logo, entendo que o afeto entre coordenador/professor e aluno tende a contribuir para a maturidade de ambos.

Como professora, numa formação contínua, tento compartilhar um processo educativo cuja valorização se encontra na construção do conhecimento e nas experiências afetivas. Assim, independentemente do lugar onde estou, procuro abrir espaço de posicionamento para os meus alunos, pois acredito que as relações no universo pedagógico podem se aprimorar mediante os inúmeros desafios, encontros, desencontros, pautados nos diálogos, instituídos com a alteridade.

(Eu sou Maria Alzira Leite, professora transformadora, pesquisadora de temas que envolvem discursos de/sobre professores. Atualmente, estou como docente no Centro Universitário Ritter dos Reis/UniRitter, em Porto Alegre-RS.)

Referência

MATURANA, H. Emoções e linguagem na educação e na política. Tradução de José Fernando Campos Fortes. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2005.

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