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COLUNA DA MARIA ALZIRA LEITE: A hora de avaliar

Texto 18

A toda hora rola uma história

Que é preciso estar atento

A todo instante rola um movimento

Que muda o rumo dos ventos

(Paulinho da Viola)

Para mim, a palavra avaliação, infelizmente, vem carregada de uma representação negativa. Talvez pelas experiências pessoais que vivenciei, principalmente, no Ensino Infantil. Por incrível que pareça, agora, adulta, ainda tenho pesadelos com algumas formas de avaliar, como, por exemplo, o ditado. Aquela sensação ruim, prevendo o erro, parecia ser mais forte. E o medo de decepcionar o professor acabava acelerando a minha ansiedade.

É bom deixar claro que faço parte de uma geração em que a avaliação era um instrumento utilizado para classificar e rotular. (Não vou abrir um espaço de discussão, aqui, nesse momento, para analisar se isso ainda existe, hoje. O que eu gostaria de pensar junto com vocês é sobre os possíveis caminhos de uma avaliação.) Hoje, como professora, reflito sobre as concepções teóricas em torno da avaliação e, assim, tento administrar as questões que envolvem uma reorientação para os critérios de avaliação. Afinal, por mais difícil que seja avaliar, não há como fugir desse momento. Ao término do semestre, considerando os nossos objetivos, ela estará ali.

Na minha trajetória docente, vários foram os momentos de angústia na hora de avaliar. E, um deles, destaco aqui para vocês. Era para ser mais um dia de apresentação das propostas de trabalho final de uma disciplina de pós-graduação. Por mais que eu tentasse deixar a turma descontraída, podíamos sentir um clima de nervosismo no ar. Os alunos sabiam que os critérios de avaliação, para aquela disciplina, contemplavam uma visão mais teórica. E, tinham ciência de que, nem sempre, os professores podiam participar da escolha desses critérios. E, assim, no decorrer das apresentações, uma professora iniciou sua fala, discorrendo sobre a sua trajetória pessoal e sua vivência escolar. Demonstrava muito entusiasmo! Os seus olhos brilhavam! O corpo da professora, sustentado pelos seus gestos, acompanhavam o seu discurso de práticas bem sucedidas! Eu percebia que, ao narrar, a professora mostrava um conhecimento, pautado nas tentativas e na experiência.

Dando prosseguimento aos trabalhos, outra aluna iniciou a sua apresentação. Notei que a sua fala era permeada de fundamentação teórica. Os pesquisadores, marcados em seu dizer, estavam ali, a todo momento, legitimando os seus anseios enquanto professora. O seu entusiasmo girava em torno das citações.

Vejam bem: duas alunas, duas professoras com saberes e visões tão diferenciadas. Por alguns instantes, fiquei pensativa. Como proceder em termos avaliativos? De um lado, a prática sobressaía, e, de outro, a teoria. Na finalização da atividade, considerei as duas apresentações muito enriquecedoras; ambas se completavam. Tivemos a oportunidade de conversar sobre o conteúdo das apresentações, pontos de destaque teórico e prático.

Buscando as linhas finais deste texto, penso que, a cada dia, temos a oportunidade de aprender mais com as situações que fogem do esperado. Diante disso, espero que novas situações como essas possam surgir para enriquecer ainda mais as nossas formas de avaliar e ver o processo de ensino e aprendizagem.

(Eu sou Maria Alzira Leite, professora transformadora, pesquisadora de temas que envolvem discursos de/sobre professores. Atualmente, estou como docente no Programa de Pós-graduação do Centro Universitário Ritter dos Reis – UniRitter, em Porto Alegre-RS.)

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