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COLUNA DA MAISA DE FREITAS: Sobre a importância dos jogos

Texto 6

Durante a minha formação na graduação em Geografia, sempre tive curiosidade por aprender formas alternativas de aprendizagem que fizessem o processo educativo ser mais interessante e, até certo ponto, mais divertido para os meus futuros alunos. Tempos depois, apesar de constatar que a prática de estudar nem sempre é divertida e interessante o tempo todo (tanto quanto gostaríamos que fosse), percebi a grande importância da ludicidade no cotidiano escolar como um motor, um incentivo para as práticas educativas.

O start para isso aconteceu há alguns anos, quando ministrei aulas para turmas da EJA no período noturno em um instituto federal. Lembro-me dos semblantes cansados e desanimados dos meus alunos, que estavam ali porque precisavam do comprovante do Ensino Médio Técnico para a carreira profissional. Não eram muitos alunos, o que contribuía ainda mais para a sala ficar com um aspecto meio melancólico durante as noites. Os assuntos da aula giravam em torno dos fenômenos socioeconômicos do século XX, nada de tão “interessante”, a princípio.

Até que, certo dia, eu pensei em fazer alguma brincadeira em sala para que eles pudessem participar, já que as minhas outras turmas do Ensino Médio regular já haviam tido essas experiências e haviam gostado muito.

Fiquei com o receio da turma não interagir, pois ela era composta por adultos com idade que variavam entre os 25 e 60 anos, que já chegavam cansados de um dia cheio de trabalho. Correndo o risco da brincadeira ser um desastre, propus um jogo de perguntas e respostas mais ou menos semelhante ao que acontecia no programa Passa ou repassa, que era exibido aos domingos no SBT. Não foi necessário mais do que uma folha de papel, lápis e borracha.

Esse dia marcou a minha vida como professora. Foi a primeira vez que vi os meus alunos sorrirem de verdade. O cansaço desapareceu momentaneamente e as perguntas ganharam contorno de novidade. Emocionei-me pela revelação de que, para brincar, não há idade e aprendi a importância dos jogos em nossas vidas como um ato que envolve nossos sentidos e a consciência de pertencimento a um processo educativo. Que não percamos a sensibilidade dos jogos na escola, como também da música, da dança, do teatro e de outras práticas lúdicas importantes que agregam diversos métodos e práticas educativas.

(Eu sou a Maisa de Freitas, colunista da rede Professores transformadores. Sou professora de Geografia e mestra em Educação. Atuo na rede pública de ensino e acredito que pequenas ações realizadas em parceria possuem um grande poder transformador.)

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