Return to site

COLUNA DA MAISA DE FREITAS: Professor, quem te inspira?

Texto 17

Ao refletir a respeito das pessoas que mais inspiraram a minha vida ao longo dos anos, constatei que a maior parte delas é constituída por professores. Ao ingressar nessa profissão, pude perceber, ainda mais de perto, o quanto somos ensinados por diversos educadores de formas que, talvez, eles nem saibam. Ressalto aqui alguns pequenos exemplos da minha trajetória profissional que podem contribuir para nos fazer refletir sobre o quanto somos importantes como professores, mesmo que, diante de várias dificuldades e da desvalorização profissional, isso possa não parecer tão visível.

Lembro-me que, ao ingressar na graduação em Geografia oferecida pela Universidade Federal de Viçosa, levou certo tempo para que eu compreendesse o quanto o universo acadêmico era distinto da lógica do Ensino Médio, de onde eu acabava de sair. Será que só eu imaginava que cursar Geografia na universidade seria apenas aprofundar os conteúdos que eu já havia estudado na escola? Quando me deparei com a experiência da Extensão e da Iniciação Científica, aprendi, a duras penas, que deveria desenvolver a autonomia para a pesquisa e, com ela, aprender a lógica do fazer científico e as normas da produção acadêmica. Tive a oportunidade de aprender isso ao fazer estágio no Museu de Rochas e Minerais na universidade, cuja curadora (uma professora) nos proporcionava diversas situações de estudo, escrita e trabalho em equipe. Aprendi também, com uma grande professora de Metodologia Cientifica e com um professor de Filosofia da Ciência, respectivamente, a construir o meu primeiro projeto de pesquisa e a raciocinar a respeito dos próprios limites do conhecimento científico.

Durante o período do estágio supervisionado, o professor que me recebeu na escola me deu pequenos “toques” que foram muito significativos. Certa vez, por exemplo, ao me deixar fazer a chamada em sala e me ver chamar os alunos pelos seus respectivos números presentes na lista, ele me falou, reflexivamente, ao final da aula, que as pessoas não eram números e que eu poderia chamá-las pelos seus próprios nomes. Depois disso, percebi que eu fazia chamadas como se fosse um recrutamento de pessoas sem identidade alguma. Com ele, também aprendi a me situar no tempo e no espaço escolar, e a associar melhor aulas teóricas com aulas práticas.

Na graduação, lembro-me de ter aulas com um professor considerado muito rígido em sua disciplina e que ministrava aulas teóricas muito cansativas. No entanto, na ementa de sua disciplina, ele indicou um livro que me influenciou profundamente: Convite à Filosofia, da Marilena Chauí. Nunca me esqueci disso, embora não gostasse de suas aulas!

O primeiro zero que tirei na universidade foi com um professor alemão de uma disciplina da Geografia, pelo fato de não ter adequado o meu trabalho às normas da ABNT. Tentei me justificar, com lágrimas nos olhos, de que não sabia fazer isso, mas ele me fez entender que era preciso me adequar se não quisesse ser acusada de plágio algum dia ou ser reprovada no TCC ou em uma pós-graduação. Também por isso, hoje, trago a responsabilidade de evitar que os meus alunos do Ensino Fundamental produzam textos meramente “recortados” da internet.

No mundo digital, pude conhecer o trabalho de muitos professores por meio de videoaulas gratuitas, que me ajudaram em estudos para concursos e no aprimoramento da minha formação. Não poderia deixar de me referir também a tantos colegas de trabalho que já me inspiraram, e que ainda me inspiram, com seus perfis únicos e cheios de experiências, e que, para mim, são fontes de grande aprendizagem.

Nesta semana do Dia dos Professores, Desejo, desta forma, que este texto, além de funcionar como um agradecimento, desperte em nós a confiança de que, em algum momento e lugar, nós teremos feito a diferença na vida de alguns de nossos alunos.

(Eu sou a Maisa de Freitas, colunista da rede Professores transformadores. Sou professora de Geografia e mestra em Educação. Atuo na rede pública de ensino e acredito que pequenas ações realizadas em parceria possuem um grande poder transformador.)

Referência

CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2000. 567 p.

All Posts
×

Almost done…

We just sent you an email. Please click the link in the email to confirm your subscription!

OKSubscriptions powered by Strikingly