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COLUNA DA MAISA DE FREITAS: Não fique preso ao livro didático, mas...

Texto 11

Durante a minha graduação em Geografia, acreditei que metodologias alternativas na área da Educação deveriam ser priorizadas em relação ao uso contínuo do livro didático, que foram vistos por mim mais como vilões do que como auxiliadores no processo de ensino e aprendizagem. Ao me deparar com as salas de aulas de uma escola pública do Ensino Fundamental, entretanto, o livro didático se tornou meu principal aliado. Comecei a entender que o problema não estava totalmente no livro em si, mas também nas formas como conduzimos nossas aulas.

Em minhas aulas, por exemplo, pedir para que os alunos leiam trechos do livro em voz alta como estratégia para ensinar a matéria ou conduzir aulas sempre teóricas não funciona muito bem, pois elas sempre correm o risco de cair em um marasmo de informações sem sentido. Pedir somente atividades que o livro traz também é pouco estimulante, pois isso restringe minhas possibilidades avaliativas.

Por outro lado, o livro tem sido um guia importante para as minhas aulas. Gosto de formular atividades baseadas nele na tentativa de que os alunos cumpram os primeiros passos para a aprendizagem. São as “atividades de fixação”, como gosto de chamá-las, cujas perguntas simples se constituem numa espécie de roteiro para que os alunos sejam estimulados a localizarem as respostas no livro e cumpram, assim, a etapa inicial de pesquisa, leitura e compreensão de texto. Parece ser uma atividade banal, mas, às vezes, o básico é o que precisa ser reforçado com os nossos alunos. Não podemos esquecer que eles podem não ter uma linha de raciocínio tão rápida quanto nós, professores, que já estamos acostumados com o conteúdo.

Algumas atividades disponíveis no livro, por sua vez, são interessantes para consolidar o conteúdo por meio de exercícios com gráficos, mapas, figuras, textos e outros elementos interdisciplinares, que, de outro modo, seriam difíceis para apresentar no quadro ou com impressões de boa qualidade para todos os alunos.

Os resultados não são completamente satisfatórios, porque existem outros fatores de ordem psicológica, social e econômica que interferem no processo de ensino e aprendizagem, e ainda é preciso muito mais para aguçar a curiosidade e a interação em sala. Sem o livro didático, no entanto, posso garantir que as dificuldades aumentariam consideravelmente, como aconteceu no começo do ano, quando duas turmas do Ensino Fundamental, para quem leciono, ainda não haviam recebido os livros.

Sendo assim, hoje, compreendo a importância de um conjunto de metodologias de ensino para melhorar as nossas experiências em sala de aula e que inclui, sobretudo, o livro didático.

(Eu sou a Maisa de Freitas, colunista da rede Professores transformadores. Sou professora de Geografia e mestra em Educação. Atuo na rede pública de ensino e acredito que pequenas ações realizadas em parceria possuem um grande poder transformador.)

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