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COLUNA DA MAISA DE FREITAS: Guarde esse celular!

Texto 2

Guarde esse celular, senão eu vou tomar e só devolvo na presença do responsável! Qual professor nunca pronunciou esta frase ou algo semelhante em sala de aula? Afinal a grande maioria já deve ter se deparado com um aluno ou aluna mexendo no aparelho em situações consideradas indevidas. E, mesmo em instituições que liberam o Wi-Fi para os alunos, os professores tendem a controlar o uso desses dispositivos eletrônicos.

Mas será que todos os professores que proíbem o uso dos celulares em suas aulas são contra o uso de tecnologias na escola? Receio que não. Muitos professores defendem o uso das novas tecnologias em sala de aula por acreditarem que deva haver uma aproximação cada vez maior entre a escola e a realidade dos alunos, que, em sua maioria, vivem rodeados por dispositivos eletrônicos, canais no YouTube, jogos etc. Apesar disso, é preciso fazer algumas problematizações em relação ao uso dos celulares.

Poderíamos desenvolver muitas ideias pedagógicas válidas para abraçar o uso deste dispositivo em sala de aula para despertar algum interesse maior pelos alunos, pois se trata de um aparelho prático para a realização de pesquisas e acessos a aplicativos educativos. Contudo, não se trata apenas disso. Independentemente do uso pedagógico dos celulares, o aluno ainda carrega consigo o uso pessoal do aparelho, e pode, ainda, utilizá-lo em momentos inoportunos para verificar mensagens no WhatsApp ou navegar no Facebook, por exemplo.

Em outras palavras, em qualquer circunstância de aprendizagem em que estejamos, ao ter o acesso irrestrito ao uso dos celulares pessoais, os alunos podem utilizá-lo para outras finalidades que não sejam as escolares – não somente os alunos, mas os próprios professores estão sujeitos a isso.

O que tem nos faltado? Enquanto sobram pesquisas a respeito do uso das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação nas escolas brasileiras, falta-nos muitas discussões a respeito da ética, da convivência em comunidade e do resgate do senso de disciplina. A internet pode ser um veículo para a aprendizagem, mas também pode ser para o assédio moral, bullying e até mesmo ameaças aos colegas, além da falta de respeito com os professores em sala de aula. Muitas dessas situações têm acontecido debaixo de nossos olhos sem que saibamos como proceder em alguns casos. Isso não é uma questão somente de responsabilidade da escola, a família, principalmente, tem que se envolver.

Precisamos dialogar mais com os nossos jovens, estudar ética, fazê-los compreender a noção de respeito ao próximo, que existem normas e que, no meio virtual, eles não estarão sempre invisíveis. Pergunto para os meus alunos do Ensino Fundamental se eles sabem o porquê dos celulares ainda serem proibidos na escola. Certamente muitos respondem: É porque não sabemos usar. Isso é significativo, pois o “não saber usar” não significa não saber mexer no aparelho, mas sim não saber a postura adequada para utilizá-lo na escola.

Precisamos aprender muito ainda! Enquanto isso, muitos professores irão concordar que, em certas circunstâncias, é mais prudente guardar o celular.

(Eu sou a Maisa de Freitas, colunista da rede Professores transformadores. Sou professora de Geografia e mestra em Educação. Atuo na rede pública de ensino e acredito que pequenas ações realizadas em parceria possuem um grande poder transformador.)

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