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COLUNA DA MAISA DE FREITAS: Fim do bimestre e o visto no caderno

Texto 20

O ano está se encerrando, a semana de provas seguindo o seu curso e um dos pedidos mais frequentes que tenho ouvido dos meus alunos é o de que preciso dar o visto no caderno antes que o bimestre acabe. O que, de fato, isso tem significado?

Percebo que, para boa parte dos alunos, o visto representa uma recompensa pela tarefa cumprida, pois vale pontos. Para mim, esse mecanismo representa certo controle das atividades dadas em sala, uma vez que, se essa estratégia não existisse, poucos alunos fariam as tarefas. Ainda que, para mim, o visto represente controle e, para os alunos, recompensa, é fato que, para todos nós, ele tem assumido mais um papel de obrigação do que de real interesse pela aprendizagem, salvo algumas exceções.

E como cansa dar visto! Em 12 turmas com 30 alunos aproximadamente, registrar cada atividade é uma missão! São 360 assinaturas nos cadernos dos alunos para cada tarefa realizada. Pergunto-me, ao final do ano, o que isso contribuiu para a aprendizagem deles, para além da nota de caderno. O que fazer para melhorar esse quadro meio mecânico de aprendizagem? Confesso que ainda não encontrei uma resposta satisfatória, embora existam outras modalidades de avaliação em sala, como as atividades orais, por exemplo, das quais gosto muito.

Não gostaria de findar o bimestre com a sensação de que, durante um ano inteiro, meus alunos foram obrigados a realizar todas as atividades propostas. Gostaria, por outro lado, que eles enxergassem sentido nelas e que, em alguns momentos, fossem movidos também pela curiosidade e dúvida, além do interesse em ter um visto no caderno.

Com isso, tenho muito o que pensar, para o ano seguinte, sobre novas estratégias para as atividades em sala. Não creio que deva existir uma estratégia infalível em todas as aulas. Também reconheço que não será em todos os momentos que os alunos estarão interessados em aprender. Apesar disso, quero ter a sensação, ao findar um ano letivo, de que cada aluno, em vários momentos, se lembrará do tanto que aprenderam na escola independentemente do visto no caderno.

(Eu sou a Maisa de Freitas, colunista da rede Professores transformadores. Sou professora de Geografia e mestra em Educação. Atuo na rede pública de ensino e acredito que pequenas ações realizadas em parceria possuem um grande poder transformador.)

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