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COLUNA DA MAISA DE FREITAS: Eu e a biblioteca

Texto 10

Penso que a biblioteca é o lugar mais bonito e calmo de uma escola. Gosto muito de entrar lá e deixar para trás, por uns instantes, toda a agitação das salas e dos corredores, com alunos ávidos para gastar energia. Contudo, parei para pensar que tenho aproveitado pouco a biblioteca da minha escola.

Por vezes, eu entro lá para exibir algum filme para os alunos ou para pegar os Geoatlas que costumo usar em sala, no entanto, em pouco mais de um ano trabalhando nesta escola, nunca peguei um livro sequer para ler.

Ao me dar conta disso, relembrei, com nostalgia, meus tempos de estudante do Ensino Fundamental e Médio. Eu adorava frequentar a biblioteca durante os intervalos. Foi lá que aprendi a inventar as minhas próprias histórias, por meio de livros que só tinham imagens, que conheci as histórias em quadrinhos de Calvin e Haroldo, os suspenses de Agatha Christie e Sidney Sheldon, os livros de Marcos Rey e vários outros da Série Vaga-lume, a arte de Monet e a literatura de Shakespeare. Aprendi muito de História, Geografia e de Literatura lendo clássicos, como José de Alencar, Aluísio de Azevedo e Raquel de Queiroz, dentre tantos outros. Lembro-me de ter sido impactada com o Diário de Anne Frank e de ter me divertido com O Grande Mentecapto.

Hoje, graduada em Geografia, mestre em Educação e professora do Ensino Fundamental, sinto-me longe dessa leitura gostosa e rica de sensações e aprendizado. Sinto-me também muito longe da biblioteca da minha escola. Nos meus horários vagos, aquelas “janelas” entre uma aula e outra, costumo corrigir provas, preparar aulas e lançar notas, ou, simplesmente, me deixo levar pelo papo com alguns professores ou pelo celular. Nesse ritmo, eu nunca peguei um livro na biblioteca para ler, nem na hora do recreio.

Cobro dos meus alunos a leitura, mas eu mesma tenho lido apenas os conteúdos relativos ao bimestre. Tenho medo de permanecer assim, presa ao livro didático e à internet, sem ter o prazer de folhear um livro interessante que escolhi a dedo na biblioteca. Vi que lá há livros interessantíssimos esperando para serem lidos. Por mais que o tempo esteja curto e que as nossas demandas estejam muito extensas, tenho, como meta, explorar mais esse espaço mágico e envolvente. Tenho certeza de que irei despertar, em mim, novamente, a menina que gostava de ler.

(Eu sou a Maisa de Freitas, colunista da rede Professores transformadores. Sou professora de Geografia e mestra em Educação. Atuo na rede pública de ensino e acredito que pequenas ações realizadas em parceria possuem um grande poder transformador.)

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