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COLUNA DA MAISA DE FREITAS: Etiqueta para o uso do WhatsApp

Texto 15

Ainda que o uso de celulares seja restrito nas escolas, atualmente, tem sido cada vez mais comum o contato entre estudantes e professores em grupos de WhatsApp. Como se trata, contudo, de algo recente na trajetória educacional no país, o uso desses dispositivos ainda não conta com regras explícitas para a sua utilização no contexto escolar, o que pode levar a algumas reflexões.

O que fazer quando um aluno pede o seu número do WhatsApp ou quando ele te solicita a participar de algum “grupo da sala”? E quando é o professor que tem vontade de criar um grupo com os seus alunos? Será que os professores que não aderem à essas tecnologias são profissionais “atrasados”? Pensei muito sobre essas questões no período do mestrado, enquanto investigava o uso do WhatsApp entre professores e alunos, e agora elas ressurgem latentes em função das minhas próprias experiências em sala de aula.

Dada a grande quantidade de alunos que possuo, constatei que participar de muitos grupos do WhatsApp é inviável. Isso, contudo, não me torna uma professora “atrasada” ou contrária às tecnologias digitais no contexto educacional. É preciso apenas de uma logística. Pensei em criar um grupo menor, apenas com os representantes das turmas, para que eles fizessem a mediação com o restante dos alunos em seus respectivos grupos, o que facilitaria o processo de comunicação. Ainda não tive a oportunidade de criar o grupo, pois preciso um período de organização e de reflexão sobre o assunto, mas acredito que é preciso uma “etiqueta” para o uso do WhatsApp, não bastando apenas criar um grupo.

É preciso formalizar a ação no grupo, redigir um documento com os objetivos claros e as regras para postagens. Não é nada agradável, por exemplo, receber mensagens de alunos em horários e dias inapropriados. Afinal, participar de um grupo não significa que estamos disponíveis o tempo todo. Também é cansativo receber postagens constantes que não fazem parte dos objetivos propostos. Além disso, há de se considerar que a autorização dos pais deva fazer parte do “acordo” para a participação no grupo quando se trata de alunos do Ensino Fundamental.

A linguagem também deve ser levada em consideração. A maneira de se referir ao professor e aos colegas deve ser respeitosa. Já participei de grupos em que os alunos usavam muitos palavrões quando conversavam entre si, desconsiderando a minha presença ali. Não se pode abrir margem para a disseminação de comentários ofensivos ou que exponham a intimidade dos participantes.

Talvez seja por todos esses motivos citados acima que ainda não criei o grupo do qual tenho vontade. Quando o fizer, quero que ele seja eficiente, isto é, que assuma a função de divulgar e de compartilhar o conhecimento que produzimos, de maneira efetiva. Penso que utilizar o WhatsApp como ferramenta no ensino possibilitaria o compartilhamento de sites, filmes, músicas, textos, além de tirar dúvidas, problematizar informações e muitas outras questões úteis ao processo educativo. Para isso, é preciso que eu repense a minha própria forma de lidar com os alunos e com suas postagens, os tipos de informações a serem divulgadas, quando e como elas serão veiculadas, onde as interações poderão ser feitas e, não menos importante, como não negligenciar os alunos que não podem ou não querem participar dos grupos.

Nesse processo, não podemos perder de vista que as tecnologias modernas devem ser aliadas e não um “trabalho” a mais em nossas vidas. Devemos optar por usá-las quando, de fato, sentirmos a necessidade.

(Eu sou a Maisa de Freitas, colunista da rede Professores transformadores. Sou professora de Geografia e mestra em Educação. Atuo na rede pública de ensino e acredito que pequenas ações realizadas em parceria possuem um grande poder transformador.)

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