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COLUNA DA MAISA DE FREITAS: Aos professores de Educação Física

Texto 13

Em textos anteriores que escrevi para a rede Professores transformadores, já mencionei a minha formação profissional na área de Licenciatura em Geografia. Ao ter a experiência de substituir uma professora de Educação Física durante um dia na escola, entretanto, pude ter uma experiência significativa nessa área de atuação, tão distinta da minha rotina. Ao interagir com os alunos, percebi o quão significativo é o trabalho com esportes na escola e, por isso, o texto de hoje é dedicado aos professores de Educação Física.

No dia em que substitui as aulas para a professora, cheguei à sala e pensei que seria fácil, afinal, era só levar a turma para a quadra, dividir uns times e liberar a bola. Contudo, mal sabia que precisaria ser uma “juíza” eficiente para dar conta de tantos acontecimentos.

Professora, você não viu que ele fez uma falta em mim?!

Ah, eu não vou jogar mais não. Não dá pra jogar com esses caras!

Professora, foi gol ou não foi?

Professora, que horas eu vou jogar?

Ah, não tem menina pra completar o time... Os meninos podem jogar com as meninas?

Ah, eu não vou jogar com menino não! Eles ficam dando canelada na gente!

Eu não quero jogar futsal!

Eu quero jogar futsal!

Ah, esses caras estão roubando!

Definitivamente, o trabalho do professor de Educação Física não é fácil! E foi assim que entendi que a experiência como professora de Educação Física, embora tenha sido caótica para mim, devido à minha inexperiência, é propícia para grandes reflexões. Os jogos trazem à tona a importância do desenvolvimento do trabalho em equipe, do autocontrole emocional diante das frustrações e das vitórias, a questão da competição, da honestidade e do controle corporal expresso nos movimentos. Outro aspecto importante a se destacar são as discussões de gênero, haja vista o descompasso entre a participação feminina e masculina nas aulas.

Dentre estas e outras tantas coisas que observei, a mais bonita foi a capacidade de o esporte levantar a autoestima dos alunos, de fazer com que eles se sentissem importantes e habilidosos. Eles realmente levavam o jogo a sério.

Em um dos campeonatos entre turmas que a professora promoveu com os alunos, tempos depois, notei a presença de dois ex-alunos que ajudavam a apitar os jogos. Fiquei muito surpresa – alunos que eu imaginava nunca mais querer retornar àquela escola, mas que estavam ali, auxiliando os jogos com a professora. Percebi isso como uma forma de status, de serem vistos.

Ao pensar em tudo isso, passou pela minha cabeça um tanto de outras histórias de jovens atletas por esse Brasil afora, e o quanto o esporte pôde mudar, para melhor, as suas vidas e a vida de suas famílias. Que as aulas de Educação Física possam estar sempre presentes na escola e na vida de nossos jovens.

(Eu sou a Maisa de Freitas, colunista da rede Professores transformadores. Sou professora de Geografia e mestra em Educação. Atuo na rede pública de ensino e acredito que pequenas ações realizadas em parceria possuem um grande poder transformador.)

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