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COLUNA DA JÚLIA SCHNORR: Júlia, algum professor faltou hoje?

Texto 15

Certo dia, ao receber os estudantes no portão da escola, um deles me perguntou, com expectativa positiva, se algum professor havia faltado. Em um universo escolar com quase trinta turmas, são poucos os dias em que nenhum professor, nos dois turnos, falta ao trabalho. O motivo mais comum, entre todas as possibilidades justificadas, é a saúde do docente.

Naquele dia em específico, um professor havia faltado. Ao ouvir que Fulano faltou porque estava doente, o estudante me surpreendeu com sua resposta: Coisa boa que faltou, disse, enquanto entrava na escola.

Senti, na fala do estudante, a indiferença em relação ao trabalho do professor, impulsionado pelo crescente desinteresse no ensino formal. Me peguei pensando se também não havia, ali, uma certa falta de consideração com um ser humano. Naquele caso, o professor.

O estudante não tinha ideia do que fez o professor faltar ao seu trabalho. Talvez não quisesse saber, pois pode ser que imaginasse que cada um deve entender de sua vida. E, possivelmente, ele tinha razão. No entanto, precisamos exercer a empatia. E, para ter empatia na escola, não precisamos saber os detalhes íntimos da vida do professor, mas necessitamos simplesmente ser humanos.

Lembrei do poema A escola é, de autoria desconhecida, mas equivocadamente atribuído a Paulo Freire. O texto reflete sobre as relações na escola, e afirma que todos que convivem nela são gente: o diretor, o coordenador, o professor, o aluno e cada funcionário. Salienta-se, nesse poema, a importância da humanização das relações dentro de um ambiente escolar saudável e propositivo.

Na falta de um espaço humano de convivência, provavelmente, os jovens e os professores podem desanimar. No caso do docente, muitos podem adoecer de forma sistemática – e genuína. Uma vez, é a voz, na outra, a coluna, na próxima, uma gripe...

Por isso, precisamos refletir sobre práticas que valorizem as relações humanas no cotidiano, como a empatia e a gentileza. Quais ações podem ser desenvolvidas para que as pessoas se sintam em um ambiente escolar humanizado?

(Eu sou a Júlia, mestre em Comunicação e professora de História. Atualmente sou coordenadora pedagógica de uma escola de Ensino Médio. Acredito em uma convivência escolar a partir do compartilhamento de saberes, vivências e, principalmente, afetos.)

O poema citado:

Escola é

O diretor é gente,

O coordenador é gente,

O professor é gente,

O aluno é gente,

Cada funcionário é gente.

E a escola será cada vez melhor

Na medida em que cada um se comporte

Como colega, amigo, irmão.

Nada de “ilha cercada de gente por todos os lados”

Nada de conviver com as pessoas e depois

Descobrir que não tem amizade a ninguém.

Nada de ser como o tijolo que forma a parede,

Indiferente, frio, só.

Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,

É também criar laços de amizade, é criar ambiente de camaradagem,

É conviver, é se “amarrar nela”!

(Autor desconhecido)

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