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COLUNA DA FERNANDA CLÍMACO: Marque um X no seu coração

Texto 19

Compartilho a ideia de diversos teóricos da Educação que consideram a avaliação como um dos grandes desafios enfrentados pela escola e pelos professores na atualidade. Na Educação Infantil, esse tema é ainda mais polêmico pois deve-se pensar no sentido dessa prática com crianças tão pequenas.

Já experimentei muitas práticas avaliativas em diferentes escolas de Educação Infantil e ainda volto a elas todas as vezes que me perguntam sobre esse tema. Afinal de contas, para que avaliar, o que avaliar, o que fazer com essa avaliação?

Sempre penso que é importante ter clara a concepção de criança que rege a prática docente. Acredito na criança potente, pensante, pesquisadora e capaz também de se autoavaliar. E, partindo desse ponto de vista, acredito que a avaliação, na Educação Infantil, é útil quando serve para refletir a própria pratica docente, quando revela potencialidades e dificuldades do professor e quando atua como estratégia importante para manutenção ou alteração das ações educativas. E, para isso, tenho utilizado diferentes instrumentos que contribuem para a minha organização de dados e acompanhamento dos registros, tais como: documentações, diários de bordo, tabelas, mapas mentais, fotografias, gravações de áudios e vídeos.

Esses instrumentos são importantes e apoiam os instrumentos mais importantes, que todos nós, professores, temos para avaliar: um olhar cuidadoso e uma escuta sensível para as crianças e seus processos.

Desenvolver olhares e escutas atentas e sensíveis demanda esforço, estudos e faz parte das concepções que consideram a criança um ser competente.

Há escolas que optam, em seus projetos político-pedagógicos, por avaliações que classificam, estigmatizam e até mesmo excluem, ao utilizarem instrumentos que não contribuem para a construção dessa postura docente. Talvez por isso ainda vemos muitos professores preenchendo fichas em que assinalam colunas com as siglas: S, N, ED (correspondentes a: sim, não, em desenvolvimento). O que significa marcar um X relativo ao desenvolvimento de cada criança?

Estou buscando entender cada vez mais sobre os processos avaliativos na infância e acredito em instrumentos e estratégias que revelem aprendizagens. De maneira que a criança consiga se perceber e possa compreender os próprios processos de construção de conhecimento e o professor tenha dados para refletir e construir uma prática docente registrada, refletida e transformada.

Marcar um X pode trazer marcas falsas e irreversíveis. Cuidado! Melhor marcar um X no seu coração e abrir-se para compreender a infância como etapa inaugural da vida e desenvolver práticas avaliativas a partir de novas percepções e olhares sobre a criança e suas potencialidades.

(Eu sou a Fernanda Clímaco, sou professora transformadora, mestre em Educação e pesquisadora da infância. Atualmente, trabalho com consultoria e formação de professores da Educação Infantil. Sou professora de professores e acredito que a gente pode mudar o mundo!)

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