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COLUNA DA FERNANDA CLÍMACO: Entre a vida e a morte, professor

Texto 17

Após uma semana de intensas emoções, paro para pensar e resolvo escrever sobre acontecimentos que estão mexendo comigo e que me remetem aos temas que me ajudam a lidar com a eminente presença da vida e da morte em sala de aula.

Vivi, há alguns anos, uma experiência que me marcou e, com certeza, me fez encarar a docência na infância a partir dos cuidados básicos, necessários ao bem-estar e à vida das crianças pequenas. Eu era professora de um grupo de crianças de 4 anos e havia uma criança que corria risco de morte caso entrasse em contato com determinados alimentos. Na época, toda a escola participou de uma formação em primeiros socorros, tivemos encontros diversos com a família e aprendi como reagir em caso de uma possível crise. Um dia, aconteceu.

Bastaram as mãozinhas sujas de manteiga de um colega tocarem a criança para que o processo fosse desencadeado. Sirene de alerta máximo tocando alucinada e eu tentando lembrar o passo a passo dos primeiros socorros. Recordo que comunicamos imediatamente a família e que segui todas as instruções medicamentosas com muito cuidado. Faltava ar para ela e para mim. Então, acolhi.

Olhos nos olhos, abraço, colo, toque macio, eu tentava dizer palavras que traziam esperança e conforto enquanto aguardávamos, na angústia, a espera pelo socorro. Deu tudo certo, foi mais um risco de morte superado por essa criança, mais uma vitória para a vida.

Dessa experiência, que poderia ter sido ainda mais trágica, tirei vários ensinamentos. Já escrevi aqui sobre a dimensão do cuidar na Educação Infantil e o que busco é o entendimento e a importância desse ato educativo, que integra o pedagógico no cotidiano das creches, escolas e instituições. É dever do professor cuidar e direito da criança ser cuidada. Essa atitude de cuidado designa o professor como um profissional de educação que possui as mais altas qualificações para a profissão. Independentemente de estar com bebês, crianças, adolescentes ou adultos.

São situações distintas, mas que me remetem ao acontecido com a professora Helley e as crianças da creche na cidade de Janaúba, em Minas Gerais. O que nos une nessa tragédia é o fato de que ela não abandonou o cuidado. Ao contrário, acolheu, tentou proteger e socorrer suas crianças. Morreu por elas.

Entender que estamos expostos diariamente a situações que desafiam a vida e a morte em nossa profissão é um ponto de partida para repensar as práticas pedagógicas e as atitudes de defesa e proteção da infância. Tenho certeza que você, professor transformador pensa nisso. Por isso, sigamos juntos.

(Eu sou a Fernanda Clímaco, sou professora transformadora, mestre em Educação e pesquisadora da infância. Atualmente, trabalho com consultoria e formação de professores da Educação Infantil. Sou professora de professores e acredito que a gente pode mudar o mundo!)

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