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COLUNA DA ELÔ LEBOURG: O professor e a rede

Texto 76

Meu ofício como professora não se restringe à sala de aula e à relação que estabeleço com meus alunos. Para mim, o contato com outros professores é um momento privilegiado no qual ressignifico minha prática. Assim, quando me conecto mais de perto com alguns docentes sinto que me aproximo de universos cheios de experiências, positivas ou negativas, que me auxiliam no meu cotidiano.

É quando escuto o colega professor ou quando sou ouvida por ele que muitas dificuldades começam a ser superadas, que arranjos são feitos e acabam resultando em boas ideias e práticas que são, na sequência, realizadas em sala de aula. Ao longo de minha carreira, já tive a oportunidade de conversar com professores muito diferentes uns dos outros. Seus repertórios, as realidades nas quais estão inseridos, seus olhares a respeito do que os paralisam e do que os fazem continuar funcionam, para mim, como estímulos para compreender melhor a mim mesma, a minha própria atuação e a sociedade em que vivo.

Entre professores, já mediei conflitos, já contornei questões graves e fui incapaz de resolver outras. Foi no contato com outros professores que fui me liberando da culpa de não dar conta de agradar a todos os meus alunos. A minha humanidade ganhou espaço diante da ideia de que eu tinha que ser uma professora quase perfeita. Consolidei a importância de atuar coerentemente com relação àquilo que espero dos estudantes em formação junto comigo. Aprendi que é importante, na autoanálise da minha atuação, me perguntar, de vez em quando, se estou trabalhando para ser a professora que eu gostaria de ter.

O contato com outros professores me fez assumir a necessidade de me manter curiosa a respeito do mundo, de estar aberta ao outro e de não levar certos problemas para o “lado pessoal”. Também perdi muito do romantismo e da idealização da profissão quando passei a ouvir algumas experiências de professores que, diante de determinados contextos problemáticos, assumiram uma conduta crítica, totalmente distanciada da noção de que ser professor é uma “missão” e de que ensinar é uma “arte”. Eles me ensinaram que devo ler, pesquisar, perguntar e, sobretudo, ouvir os meus alunos.

Hoje, não imagino mais um sentido para a minha prática distanciado de um contato contínuo com outros professores. E posso afirmar que estou bastante próxima de muitos colegas que me auxiliam. Há os que me acolhem, os que chamam a minha atenção e me orientam para outros caminhos, há aqueles que me inspiram quando observo, mesmo de longe, suas práticas e sua perseverança. Cada um à sua maneira, todos professores transformadores.

(Eu sou a Elô Lebourg, idealizadora do Professores transformadores. Entre tantas coisas, sou historiadora e mestra em Educação. Sou uma professora transformadora também, dessas que acredita que vai mesmo melhorar o mundo.)

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