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COLUNA DA ELÔ LEBOURG: O aluno inatingível

Texto 72

Parecia que ela estava sempre dispersa... Chegava atrasada às minhas aulas, passava o tempo todo manuseando o smartphone... Nunca fazia anotações, não observava os slides, não lia os textos, participava pouco das atividades... Demorei até perceber que era possível que aquela estudante tivesse algum problema comigo, com minhas aulas ou com o curso, mas, tão logo fui constatando que sua postura era mesmo de aversão ou de indiferença a mim e às minhas propostas, tentei ir revertendo isso.

Passei a olhar mais para ela, a estimular que participasse das discussões e das atividades, mas nada parecia funcionar... Ela continuava me ignorando e, quanto mais eu tentava, mais se mostrava impaciente. Ao final das aulas, saía apressada. Na única vez em que nos encontramos no corredor, tentei conversar um pouco, mas ela se esquivou e me deixou falando sozinha. Ela me desconcertava. Eu não sabia o que estava acontecendo e nem o que fazer para melhorar aquela situação que, possivelmente, também era ruim para ela.

Além dela, tive outros alunos que pareciam resistir a mim e às minhas aulas. A maioria parecia estar bem com a decisão de me manter afastada, de não prestar atenção às aulas que eu ministrava. Muitos, quando podiam, ainda me tratavam mal. Parecia que era mesmo importante mostrar que não gostavam de mim.

É que você me dá preguiça – me contou uma aluna, certa vez, quando me explicou sobre o motivo que fazia com que ela nunca prestasse atenção às minhas aulas. Foi uma frase difícil de ouvir. Mas, algumas vezes, parece que é assim mesmo... Há, em algumas turmas, aqueles alunos inatingíveis, pouco dispostos a se envolver com as aulas. Muitos parecem ter criado uma resistência gratuita contra nós e nossas aulas. Em outros casos, é possível que tenhamos contribuído, ainda que sem querer, para essa postura... Assumir que, em várias dessas situações, as tentativas não surtirão efeitos positivos é frustrante, mas, de certa forma, também faz parte da nossa trajetória como professores. É preciso aprender a conviver também com isso...

(Eu sou a Elô Lebourg, idealizadora do Professores transformadores. Entre tantas coisas, sou historiadora e mestra em Educação. Sou uma professora transformadora também, dessas que acredita que vai mesmo melhorar o mundo.)

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