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COLUNA DA CRISTIENE CARVALHO: Professor, de que lado você está?

Texto 19

Há algumas semanas, ouvi uma conversa de professores conhecidos e comecei a verificar alguns comportamentos de descrédito em relação aos seus alunos que me fizeram refletir sobre a postura docente em sala.

Falar sobre o grande número de reprovações das turmas, conclamar sobre o desinteresse costumeiro das turmas, fazer provas com pegadinhas e analisar o desempenho dos alunos como se as notas baixas de todos servissem apenas para constatar a hipótese de que grande parte deles não sabe de nada: esses são outros comportamentos que me fizeram pensar se alguns professores buscam, com a docência, transformar vidas por meio da construção do conhecimento ou a usam como recurso massageador do ego, para provar que são dotados de inteligência.

Se grande parte dos alunos está reprovada, podemos atribuir o peso das bombas coletivas aos alunos ou devemos repensar nossa prática docente? Falando em repensar, como nos preparamos para sermos docentes? Escolhemos nossa graduação e nos licenciamos tentando compreender a didática como aliada de nosso trabalho ou basta-nos apenas dominar a nossa área de conhecimento? O desinteresse dos alunos me desafia a repensar as aulas ou é visto apenas como um grande defeito das turmas?

Percebo que, mesmo diante dos desafios de piso salarial e do não reconhecimento da carreira docente, tornar-se professor é, muitas vezes, uma forma de assegurar um cargo que permita um salário mensal. Ser professor não deveria ser uma segunda opção profissional e, caso isso aconteça, deve vir acompanhado da consciência de que é necessário aprender e se adequar à profissão para cumprir aos desafios que ela exige.

Entendendo que nos formamos professores ao longo de nossa jornada, espero, de todo coração, que os colegas que presenciei tendo aquela conversa busquem compreender que ser professor não é apenas dar aulas para mostrar a falta de capacidade dos alunos. Dar aulas é conseguir fazer com que elas tornem nossos alunos capazes de ir além. Comprovar fracassos discentes é um processo que não faz da docência um lugar de luta pelo aluno e pela sua capacidade de ser transformado.

Abr@ço forte e sigamos refletindo sobre o nosso lugar como professores!

(Eu sou Cristiene Carvalho, arte educadora, pedagoga, mestre e doutoranda em Educação. Compreendo a Educação enquanto possibilidade de transformação do mundo. Em minha prática, oscilo entre a indignação diante das injustiças e a boniteza de acreditar nos sonhos (im)possíveis.)

Informações sobre a imagem:

Monumento Cabo de Guerra Wismar Mecklenburg

Imagem sem direito autoral marcada como livre para reutilização e/ou edição

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