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COLUNA DA CRISTIENE CARVALHO: Não existe ex-professora

Texto 16

No último fim de semana, fui visitar minha mãe na cidade de Mariana e a acompanhei em um encontro de ex-alunas do Colégio Providência, onde ela se formou em Magistério. Foram três dias com atividades culturais, religiosas, almoços e jantares, momentos que possibilitaram o reencontro dos ex-alunos. Neste ano, receberam homenagens especiais os alunos formados há 25 e 50 anos.

A turma de minha mãe se formou há 46 anos e, mesmo assim, pode contar com a presença de nove ex-alunas. Como única pessoa que não fazia parte dessa turma animada, me pus a fotografá-las e fiquei prestando atenção em suas conversas. Me interessava ouvir sobre a formação do curso de Magistério e sobre as suas trajetórias profissionais. Nessas conversas, falavam, com saudade, sobre o tempo em que eram normalistas e, ainda jovens, buscavam, nesse curso secundário, a formação para exercer uma profissão tão importante para a sociedade. Naquela época, o tradicional curso de Magistério se configurava como uma oportunidade concreta de um futuro de trabalho e de reconhecimento na sociedade…

Ao ouvir as conversas dessas ex-alunas, vi que ali estavam presentes professoras, pedagogas, dentistas, psicólogas, misses, irmãs de caridade, administradoras etc. Embora a maioria das presentes tenha seguido o caminho docente e grande parte delas já tivesse se aposentado, pude perceber que muitas traziam um olhar de esperança sobre a importância da educação na sociedade. Quando me referi a uma delas como ex-professora, ela me disse que não existia ex-professora, pois, embora estivesse aposentada, trazia consigo o desejo cotidiano de ensinar e de transformar o mundo uma vez que isso a mantinha viva. Ouvindo essa resposta, outra ex-aluna desse grupo me disse que, mesmo tendo se especializado em outra profissão, sua essência de educadora aprendida no Magistério fazia dela uma profissional mais ética e comprometida com a humanidade.

Esse ano completo dez anos que iniciei minha trajetória docente e, de lá para cá, precisei lutar contra o desânimo em várias ocasiões. Foi justamente a esperança de que minha ação docente poderia mudar o mundo que manteve meu olhar próximo da docência. Fiquei pensando nos desafios superados por essas mulheres ao longo de quase cinco décadas de trabalho: mudança na estrutura escolar, desvalorização crescente da profissão e adequação às mudanças tecnológicas que mudaram a sociedade e a escola. Ouvindo e convivendo com estas ex-alunas nestes dias, renovei meu espírito docente que se encontra agora imerso em alegria, disposição e persistência. Obrigada, professoras normalistas da turma de 1972! Aprendi muito com vocês nesses dias e levarei esse momento para minha prática como educadora.

Abr@ço forte e sigamos renovando nossa prática de professores!

(Eu sou Cristiene Carvalho, arte educadora, pedagoga, mestre e doutoranda em Educação. Compreendo a Educação enquanto possibilidade de transformação do mundo. Em minha prática, oscilo entre a indignação diante das injustiças e a boniteza de acreditar nos sonhos (im)possíveis.)

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